Combate

Valtenir Pereira (PSB) defende inclusão da corrupção no rol de hediondos, Blairo Maggi (PR) é contra

A questão deve ser discutida pela comissão especial instalada no Senado para tratar da reforma do Código Penal.

por GazetaMT

17 de Setembro de 2012, 06h56

Valtenir Pereira (PSB) defende inclusão da corrupção no rol de hediondos, Blairo Maggi (PR) é contra
Valtenir Pereira (PSB) defende inclusão da corrupção no rol de hediondos, Blairo Maggi (PR) é contra

Um dos raros parlamentares da bancada mato-grossense no Congresso Nacional sem pendengas judiciais (segundo levantamento da ONG Transparência Brasil) e oriundo da área jurídica, o deputado federal Valtenir Pereira (PSB) -- que já atuou como procurador da Defensoria Pública de Mato Grosso -- afirmou ser favorável à inclusão da corrupção praticada contra a administração pública na lista de crimes considerados hediondos. A questão deve ser discutida pela comissão especial instalada no Senado para tratar da reforma do Código Penal.

"Seria uma ótima iniciativa. É muito importante a ampliação da rigidez contra a corrupção. Não se trata de um mero rótulo. Transformando a corrupção em crime hediondo se restringe vários benefícios no cumprimento da pena. A corrupção é uma questão que retira dinheiro da saúde, da educação, da segurança pública, enfim, afeta as necessidades mais sensíveis da população e exige um aparato legal fortalecido", disse Pereira.

"Cada dia com a sua agonia. O Senado vai aprovar um texto endurecendo o combate à corrupção. É uma questão de interesse da sociedade, não podemos legislar olhando para o nosso umbigo, mas analisando o interesse social. E na Câmara, com muita articulação e escolha de um bom relator, podemos avançar", disse Pereira, ao ser questionado sobre a possibilidade de a proposta ser aprovada no Congresso Nacional, onde a maior parte dos parlamentares enfrenta problemas com a Justiça.

A sugestão de inclusão da corrupção na lista de crimes hediondos foi rejeitada pela maioria dos integrantes da comissão de juristas que formulou e encaminhou ao Senado o anteprojeto do novo Código Penal. Esses crimes são considerados inafiançáveis e não suscetíveis de serem perdoados pela Justiça. Têm regimes de cumprimento de pena mais rigoroso que os demais crimes. Relator na comissão especial instalada no Senado para discutir o novo texto do código, o senador mato-grossense Pedro Taques (PDT) defende a inclusão.

Sobre a questão da redução da maioridade penal, Pereira entende não se tratar de uma cláusula pétrea. "É preciso encontrar um meio-termo. Em casos de homicídio, por exemplo, atualmente adultos ficam 12 anos na prisão e adolescentes ficam internados três anos. É preciso debater o assunto para corrigir essa distorção. As penas visam punir e também reeducar", disse Pereira, citando que em casos de homicídio, por exemplo, a pena para adolescentes deveria ser maior.

Pereira argumentou ainda que os adolescentes estão amadurecendo rapidamente e têm acesso a informações e, portanto, conseguem perceber o que é certo e o que é errado. "Eles têm poder de discernimento", observou. Apontou ainda que a discussão sobre a redução da maioridade penal precisa considerar as vítimas. "Os adolescentes são pessoas constituídas de estrutura biopsíquia. Em geral, o aparelho estatal se preocupa com os criminosos, inclusive pagando auxílio-reclusão. E o filho que perdeu o pai que era o esteio da família?".

Blairo é contra

O senador licenciado Blairo Maggi (PR) disse não concordar com Taques. "Já temos uma tradição em relação a isso. As instituições estão se preparando cada vez mais. Acho que o próprio julgamento do mensalão vai dar um redimensionamento, um novo rumo para as questões de corrupção. E, pelo que sei, a maioria dos juristas também é contra", disse Maggi.

Já o senador Jayme Campos (DEM) disse que não teria restrições à proposta. "Tudo o que for para aperfeiçoar o sistema é bom, mas eu não posso afirmar que isso melhoraria (o sistema)", disse Campos.

Governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB) respondeu ao Olhar Jurídico que é a favor da mudança. "A pena seria maior e se evitaria a sensação de impunidade, havendo pena mais dura", disse.

A sugestão de inclusão da corrupção na lista de crimes hediondos foi rejeitada pela maioria dos integrantes da comissão de juristas responsável pela formulação e encaminhamento do anteprojeto do novo código ao Senado.

Crimes hediondos são considerados inafiançáveis e não suscetíveis de serem perdoados pela Justiça. Têm regimes de cumprimento de pena mais rigorosos que os demais crimes. Vale observar que Maggi, Campos, Barbosa e Cidinho Santos (PR) são alvos de processos na Justiça por questões referentes à administração pública.

(com informações do site Olhar Jurídico)