PORQUE ESCONDER?
Ibrahim Zaher sobe o tom contra retirada de urgência de requerimento sobre informações sobre o trânsito
O dia que um vereador não puder saber quantos acidentes teve na cidade, o que é que tá acontecendo? Não dá para entender", disparou o parlamentar
17 de Setembro de 2026, 08h29
Durante a sessão ordinária desta quarta-feira (16) na Câmara Municipal de Rondonópolis, o vereador Ibrahim Zaher (MDB) fez um duro pronunciamento na tribuna após a rejeição da urgência de requerimento de pedido de informações, que solicitava do Poder Executivo dados públicos sobre o trânsito da cidade, incluindo o quantitativo de acidentes e o total de multas aplicadas pelos novos radares eletrônicos instalados no município.
Após a votação contraria a urgência, Zaher pediu a palavra e criticou a postura da maioria dos parlamentares, o vereador ironizou a perda de função do Legislativo. "Tá chegando num ponto que alguns vão ter que pegar o seu diploma eleitoral e rasgar. Eu acho que os colegas poderiam pelo menos ler o teor do requerimento para ver o que vossas excelências estão sendo contrários a gente saber de informação.", disse.
O parlamentar argumentou que o pedido não envolvia detalhes contratuais complexos, mas sim estatísticas básicas, mais importantes que deveriam ser de fácil acesso à população, como volume de multas aplicadas, números de acidentes desde o período de instalação do sistema e quantitativo de vítimas, inclusive fatais. "O dia que um vereador não puder saber quantos acidentes teve na cidade, o que é que tá acontecendo? Não dá para entender", disparou.
Zaher destacou que o município gasta cifras significativas com o sistema de fiscalização eletrônica, destacando que o contrato anual gira em torno de R$ 16 milhões. Segundo ele, o cidadão tem o direito de entender se a arrecadação das penalidades cobre os custos ou se está apenas gerando uma sobrecarga financeira ao trabalhador rondonopolitano.
Diante da recusa do pedido de informações, o vereador anunciou que pretende acionar o Poder Judiciário para que a Prefeitura seja obrigada a fornecer os dados, caso na semana que vem o requerimento que volta a pauta de discussão e votação seja rejeitado pelos colegas vereadores. "Nós vamos ter que judicializar contra o município que tá negando informação que é pública, que deveria ser informada para não dizer que a Casa aqui é contrária ao acesso de informação e a Justiça vai ter que determinar que seja enviada." Pontuou.
Ao finalizar o discurso, Zaher comparou a situação do trânsito local a um conto de fadas, criticando a falta de transparência. “Nós estamos vivendo o país das maravilhas, e nós somos a Alice aqui", concluiu.