Embate

Emenda de vereadores pode inviabilizar licitação do transporte público

A emenda exige que a minuta do edital para a licitação, que é um documento sigiloso, seja enviada para os vereadores

por

18 de Janeiro de 2016, 09h32

Emenda de vereadores pode inviabilizar licitação do transporte público
Emenda de vereadores pode inviabilizar licitação do transporte público

Uma emenda apresentada pelos vereadores Reginaldo Santos (PPS) e Ibrahim Zaher (PSD) pode inviabilizar o processo licitatório para a contratação de uma nova empresa para administrar o transporte público na cidade de Rondonópolis. A dita emenda chegou a ser vetada pelo Executivo, mas foi derrubada pelos vereadores e exige que a minuta do edital para a licitação, que é um documento sigiloso, seja enviada para os vereadores, que a submeterão à uma audiência pública, para verificarem se o teor da mesma é do agrado dos mesmos.

De acordo com o Procurador Geral do Município, Fabrício Correia, a exigência dos vereadores inviabiliza o processo licitatório. "Nós não podemos enviar a minuta do edital de licitação do transporte público para a Câmara simplesmente por que a minuta é um documento sigiloso até que o edital seja publicado. Se eu fizer isso, vou ferir uma lei federal e inviabilizar todo o processo licitatório, que é uma atribuição exclusiva do Executivo. Mas os vereadores, se quiserem, podem indicar um representante para acompanhar todo o processo junto à comissão de licitação", informou.

'Se o edital não conservar os eu caráter sigiloso, todo o processo é inviabilizado', disse o procurador Fabrício Correia - Foto GazetaMTAinda de acordo com o procurador, caso os vereadores permitam que o processo licitatório tramite normalmente e discordem do teor do seu edital, que define as obrigações da empresa que vai ser a nova concessionária do transporte público, pode ser alterado, aditado ou até mesmo anulado. "Se o edital não conservar os eu caráter sigiloso, todo o processo é inviabilizado, pois isso é definido por lei federal e nós não podemos alterar isso aqui na ponta", completou Fabrício Correia.

Por outro lado, os vereadores não entenderam da mesma forma e derrubaram o veto do Executivo e a emenda foi sancionada por eles mesmos. "Nós queremos que a minuta venha para a Câmara para que a gente chame uma audiência pública para ver se está tudo nos conformes", declarou o presidente da Câmara, Lourisvaldo Manoel de Oliveira, o Fulô (PMDB).

Sobre a concessão do transporte público

O transporte público de passageiros, que atualmente está sob a responsabilidade da empresa Cidade de Pedra, funciona por meio de uma concessão pública e está vencida desde fevereiro de 2014.

Como tanto a criação do transporte público de passageiros quanto a sua concessão para a empresa faziam parte da mesma lei, assim que a mesma venceu, tanto a concessão quanto a criação do mesmo deixaram de existir.

Por conta dessa situação, a prefeitura enviou dois projetos de lei para a Câmara: um que criava o transporte público municipal e uma outra em que os vereadores autorizavam o Executivo a realizar a licitação para a contratação de uma nova empresa para administrar o serviço, ambas já aprovadas pelos vereadores.

Agora, a prefeitura aguarda um posicionamento dos vereadores a respeito da emenda para encaminhar a abertura do processo licitatório.