Gestão pública exaurida
18 de Novembro de 2012, 19h11
Até criança da escola fundamental já percebe que o modelo de gestão pública utilizado no país, exauriu-se completamente. Os chamados poderes exauriram a sua capacidade de dar respostas às necessidades da sociedade. A gestão ficou caríssima e não há dinheiro que chegue pra custear o peso político de uma máquina administrativa e partidária cara e ineficaz.
O serviço público virou cartório de empreguismo desnecessário, e os concursos públicos engolem os sonhos dos jovens, na ânsia de se aposentarem do compromisso de trabalhar antes dos 30 anos. Resultado: mais burocracia pra justificar tanta gente na máquina cada vez mais inchada, e mais burocracia significa mais dificuldades para a sociedade. Isso, sem contar que os mecanismos de controle e de fiscalização supostamente criados pra "vigiar" a corrupção, alimentam mais corrupção, porque dificultam e impedem os acessos a serviços públicos. E esses, "vendem" serviços facilitados. Por detrás, partidos políticos se aproveitam da confusão geral e se alimentam do empreguismo e das "alianças" que engolem cada vez mais recursos públicos.
Este cenário contaminou os três níveis da gestão: federal, estadual e municipal. Setores essenciais como o Poder Judiciário e o Ministério Público, por exemplo, entraram na onda e também vendem dificuldades em troca de mais orçamento pra custear uma engrenagem cada vez mais burocrática, cara e distante da sociedade a quem deveriam servir. Os impostos arrecadados "morrem" no custo dessa imensa máquina e uma margem insignificante chega aos investimentos. Os problemas se avolumam...!
Este quadro é tão visível que não requer nenhum tipo de lente pra ser visto. Em função disso, começam a pipocar movimentos ainda muito sutis, mas de peso crescente, buscando discutir ideias para combater esse cenário apodrecido, e construir uma ruptura pacífica, contrários ao "status quo" da gestão pública. São intelectuais, empresários, jornalistas, executivos privados, profissionais liberais que começam a discutir. Daí, certamente, surgirão as teses pra alimentar a opinião pública. São movimentos nascentes que alcançam também prefeitos recém-eleitos, preocupados com a própria gestão e com toda a gestão pública. As federações, tipo a das Indústrias, da Agricultura e Pecuária já começam a repensar o seu papel dentro da sociedade, além da economia.
Os militares tomaram o poder em 1964 dentro de um ambiente semelhante de corrupção e de falta de autoridade na gestão pública. Claro que aquela ruptura não se repetirá daquela forma. Mas os sentimentos de indignação começam a nascer dentro da sociedade e crescerão na medida em que a exaustão da gestão pública crescer. Até lá, como profetizou o divertido Barão de Itararé, "ou se restaura a moralidade, ou nos locupletemos todos! Voltarei ao assunto.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso