“METER A FACA”

Paulo Guedes diz que pretende cortar até 50% das verbas do Sistema S

Futuro ministro diz que reforma da Previdência é prioridade

por GazetaMT

18 de Dezembro de 2018, 08h09

Paulo Guedes diz que pretende cortar até 50% das verbas do Sistema S
Paulo Guedes diz que pretende cortar até 50% das verbas do Sistema S

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou nesta segunda-feira o Sistema S, formado por entidades empresariais e que se dedica, entre outras coisas, ao ensino profissionalizante no país. A uma plateia de empresários reunidos na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Guedes criticou os custos do sistema. Para ele, os cortes nos programas precisam ser acentuados.

"Tem que meter a faca no Sistema S" disse o futuro ministro.

"A CUT perde o sindicato e aqui fica tudo igual? O almoço é bom desse jeito e ninguém contribui? A gente tem de cortar pouco para não doer muito. Se o interlocutor é inteligente, preparado e quer construir, como o Eduardo Eugênio (Gouveia, presidente da Firjan) corta 30%. Se não, corta 50%" frisou Guedes, seguido de risadas da plateia que lotou o auditório da Firjan na tarde desta segunda.

Ele disse, ainda, que não "adianta cobrar sacrifícios dos outros e não dar o exemplo".

Guedes não explicitou ao que se referia, mas a reforma trabalhista, aprovada no governo Michel Temer, acabou com o imposto sindical obrigatório, o que afetou as receitas de sindicatos e centrais sindicais, como a CUT. A assessoria de imprensa do futuro ministro informou que ainda não estão definidos detalhes de como será feito esse corte.

Após a palestra de Guedes, o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio, afirmou aos jornalistas presentes que concorda com a necessidade de revisão nos custos, mas destacou a importância do investimento em qualificação de mão de obra.

"As instituições no Brasil, privadas e públicas, merecem uma revisita para melhorarem os seus custos. O ministro Paulo Guedes, ao mesmo tempo que diz que quer cortar no orçamento dos "S", diz que não quer  prejudicar as coisas que dão certo, as escolas  que estão funcionando, que estão entregando mudança de vida para as pessoas.  Portanto, estamos muito tranquilos, porque é um objetivo comum - destacou Eduardo Eugênio". A reportagem é de O Globo.