“SANGRIA”

Defaz deflagra segunda fase de operação contra esquema na saúde

Estão sendo cumpridos 8 mandados de prisão e 4 de busca e apreensão.

por Estevan de Melo

18 de Dezembro de 2018, 06h53

Defaz deflagra segunda fase de operação contra esquema na saúde
Defaz deflagra segunda fase de operação contra esquema na saúde

Reprodução

A Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz) deflagrou na manhã desta terça-feira (18), a segunda fase da operação Sangria, que visa para investigar fraudes na Saúde de Cuiabá.

Estão sendo cumpridos 8 mandados de prisão e 4 de busca e apreensão.

Em sua primeira fase, a polícia visou arrecadar provas documentais para confirmar denúncia referente a um grupo de médicos com participação societária oculta em três empresas de serviços médicos, na Capital e interior do Estado.

A investigação apura irregularidades em licitações e contratos firmados com as empresas Proclin (Sociedade Mato-Grossense de Assistência Médica em Medicina Interna), Qualycare (Serviços de Saúde e Atendimento Domiciliar LTDA) e a Prox Participações.

Na época, um dos alvos da operação foi o ex-secretário municipal de saúde Huark Douglas Correia, ligado à Proclin (Sociedade Mato-Grossense de Assistência Médica em Medicina Interna).

De acordo com a delegada Maria Alice Barros Martins Amorim, no dia 14 de dezembro, um segundo inquérito policial (196/2018) foi instaurado, após a Polícia Civil detectar que os investigados estão obstruindo o trabalho da Justiça.

“Destruindo, ocultando, coagindo testemunhas, usando de força política para atrapalhar o levantamento de informações e ainda fazendo pagamentos pendentes com o fim de arredondar documentos para encobrir as fraudes”, disse a delegada titular da Defaz.

Os alvos da segunda fase, entre eles três médicos, um gerente de licitação, um coordenador financeiro, parente, e funcionários das empresas prestadoras de serviços médicos hospitalares, são investigados em crimes de obstrução à justiça praticada por organização criminosa e coação no curso do processo.

Segundo a apuração, a organização mantém influência dentro da administração pública, no sentido de desclassificar concorrentes, para que ao final apenas empresas pertencente a eles (Proclin/Qualycare) possam atuar livremente no mercado, “fazendo o que bem entender, sem serem incomodados, em total prejuízo a população mais carente que depende da saúde pública para sobreviver”.

A investigação demonstra que a organização criminosa, chefiada por médicos, estão deteriorando a saúde pública de Cuiabá e do Estado de Mato Grosso. Levantamento feito pela Central de Regulação de Cuiabá, em 2017, aponta que 1.046 pessoas aguardavam por uma cirurgia cardíaca de urgência e outras 390 por um procedimento cardíaco eletivo.

Nome da Operação

O nome da operação “Sangria” é alusivo a uma modalidade de tratamento médico que estabelece a retirada de sangue do paciente como tratamento de doenças, que pode ser de diversas maneiras, incluindo o corte de extremidades, o uso de sanguessugas ou a flebotomia. (Com assessoria)