“SANGRIA”
Defaz deflagra segunda fase de operação contra esquema na saúde
Estão sendo cumpridos 8 mandados de prisão e 4 de busca e apreensão.
18 de Dezembro de 2018, 06h53

A Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz) deflagrou na manhã desta terça-feira (18), a segunda fase da operação Sangria, que visa para investigar fraudes na Saúde de Cuiabá.
Estão sendo cumpridos 8 mandados de prisão e 4 de busca e apreensão.
Em sua primeira fase, a polícia visou arrecadar provas documentais para confirmar denúncia referente a um grupo de médicos com participação societária oculta em três empresas de serviços médicos, na Capital e interior do Estado.
A investigação apura irregularidades em licitações e contratos firmados com as empresas Proclin (Sociedade Mato-Grossense de Assistência Médica em Medicina Interna), Qualycare (Serviços de Saúde e Atendimento Domiciliar LTDA) e a Prox Participações.
Na época, um dos alvos da operação foi o ex-secretário municipal de saúde Huark Douglas Correia, ligado à Proclin (Sociedade Mato-Grossense de Assistência Médica em Medicina Interna).
De acordo com a delegada Maria Alice Barros Martins Amorim, no dia 14 de dezembro, um segundo inquérito policial (196/2018) foi instaurado, após a Polícia Civil detectar que os investigados estão obstruindo o trabalho da Justiça.
“Destruindo, ocultando, coagindo testemunhas, usando de força política para atrapalhar o levantamento de informações e ainda fazendo pagamentos pendentes com o fim de arredondar documentos para encobrir as fraudes”, disse a delegada titular da Defaz.
Os alvos da segunda fase, entre eles três médicos, um gerente de licitação, um coordenador financeiro, parente, e funcionários das empresas prestadoras de serviços médicos hospitalares, são investigados em crimes de obstrução à justiça praticada por organização criminosa e coação no curso do processo.
Segundo a apuração, a organização mantém influência dentro da administração pública, no sentido de desclassificar concorrentes, para que ao final apenas empresas pertencente a eles (Proclin/Qualycare) possam atuar livremente no mercado, “fazendo o que bem entender, sem serem incomodados, em total prejuízo a população mais carente que depende da saúde pública para sobreviver”.
A investigação demonstra que a organização criminosa, chefiada por médicos, estão deteriorando a saúde pública de Cuiabá e do Estado de Mato Grosso. Levantamento feito pela Central de Regulação de Cuiabá, em 2017, aponta que 1.046 pessoas aguardavam por uma cirurgia cardíaca de urgência e outras 390 por um procedimento cardíaco eletivo.
Nome da Operação
O nome da operação “Sangria” é alusivo a uma modalidade de tratamento médico que estabelece a retirada de sangue do paciente como tratamento de doenças, que pode ser de diversas maneiras, incluindo o corte de extremidades, o uso de sanguessugas ou a flebotomia. (Com assessoria)