DUAS VEZES SÓ EM ABRIL

Outra vez, Rondonópolis cai na “malha fina” do Ministério da Saúde

Município teve, novamente, repasses suspensos pelo órgão federal por não cumprir contratos

por Robson Morais

18 de Abril de 2017, 14h02

Outra vez, Rondonópolis cai na “malha fina” do Ministério da Saúde
Outra vez, Rondonópolis cai na “malha fina” do Ministério da Saúde

Outra vez, o Ministério da Saúde suspendeu repasses ao município de Rondonópolis. A reportagem do GazetaMT teve acesso a planilhas do órgão federal que incluem 13 propostas relacionadas a unidades de Saúde do município cuja verba para construção, reforma ou ampliação foi cortada pela não comprovação da evolução das obras, conforme determina o pagador.

Nos documentos, estão setorizadas cada uma das unidades de acordo com o número das propostas, data do início e previsão do tempo de contrato, estágio de evolução, finalidade do recurso enviado (reforma, construção ou ampliação), valores já pagos e a justificativa para a suspensão da terceira parcela ou etapa. No tópico 'Situação da proposta atual', o MS frisa o corte do dinheiro: "Não inseriu atestado de conclusão para solicitar a 3ª parcela. O MS notificou o município por não cumprimento de prazo para conclusão", diz. O dinheiro deveria ter sido repassado em março deste ano.

Todos os contratos tiveram início ainda em 2013, na gestão do ex-prefeito Percival Muniz -PPS. Herdadas pelo atual chefe do Executivo José Carlos do Pátio -SD, as obras não tiveram seguimento. Nas planilhas estão incluídas as unidades dos bairros: PSF João de Barro, Centro de Saúde Cohab, PSF Monte Líbano, PSF Serra Dourada e Centro de Saúde São Francisco. Há, ainda, propostas e contratos não especificados pelo MS.

Em 2013, o MS repassou a Rondonópolis a primeira parcela do recurso federal, em valores que variaram de R$55 mil a R$408 mil, dependendo da unidade de Saúde. Em 2015, a segunda parcela também foi paga, com valores variados de R$ 30 mil a R$244,8 mil.

Já em 2016, o município recebeu a primeira notificação do MS sobre a não comprovação da evolução. A prefeitura, então, respondeu, por meio do setor de Planejamento da Secretaria Municipal de Saúde que atenderia ao padrão exigido pelo MS para a retomada de cada obra. O órgão federal, na época, autorizou a prorrogação dos contratos.

Pelo ralo

No início deste mês, a Portaria nº 889 do Ministério da Saúde, de 31 de março de 2017, suspendeu repasses em dinheiro referentes ao número de Equipes de Saúde da Família (que atuam nos ESFs) e Ribeirinhas, Equipes de Saúde Bucal e de Agentes Comunitários de Saúde sob a alegação de irregularidade no cadastro de profissionais no Sistema de Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde -Scnes.

Segundo o documento oficial do Ministério, Rondonópolis foi enquadrada no quesito duplicidade. A suspensão entrou em vigor no ato da publicação da Portaria, ou seja, em 31 de março.

Em resposta a este primeiro recurso perdido, o gerente da Atenção Básica da Secretaria Municipal de Saúde, Marcelo Miranda: "o que houve foi a suspensão por apenas um mês de um recurso em torno de R$10 a R$ 12 mil. No mais, não haverá impacto ou risco de precarização da Saúde em Rondonópolis, até porque este recurso se refere a uma única Unidade. E mais, assim que resolvermos o impasse, já nos próximos dias, o Ministérios da Saúde retomará a destinação de recurso, pagando, inclusive, o valor retroativo".

Sobre as planilhas e a nova perda de dinheiro, a reportagem fez contato com o setor de planejamento da Secretaria Municipal de Saúde e foi informada da transferência dos contratos à Secretaria Municipal de Infraestrutura. Na Sinfra, até o fechamento desta reportagem, não obtivemos resposta.