MEDICAÇÃO AINDA EM ESTUDO

Enfermeira que morreu de Covid-19 chegou a fazer uso da cloroquina

A servidora, segundo sindicalista da Saúde, vinha sendo acompanhada 24 horas no antigo PS e morreu em virtude de complicações de uma comorbidade e demais inflamações da infecção que atingiu parte do organismo

por Karollen Nadeska, de Cuiabá

18 de Maio de 2020, 10h31

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Divulgação

A enfermeira Alessandra Bárbara Pereira, de 49 anos, que morreu na manhã desta segunda-feira (18), vítima da Covid-19, fez o uso da medicação cloroquina horas antes de morrer.

Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde (Sisma-MT), Oscarlino Alves, a profissional já estava num estágio avançado da doença tendo o uso da cloroquina sido feito com base nas recomendações do Ministério da Saúde, autorizado somente em casos graves.

Oscarlino enfoca que a cloroquina não é uma medicação que foi criada para tal finalidade, tendo em vista que a medicação é usada em outros tipos de comorbidades e possui efeitos colaterais quando usada irregularmente. Ele ainda alerta que é um medicamento que não está autorizado para ser vendidos nas prateleiras das farmácias em sua distribuição genérica como para pacientes assintomáticos (sintomas leves da Covid). Cientistas também não recomendam o uso incoerente do fármaco.

“A cloroquina está liberada desde o início com base no protocolo do Ministério da Saúde nos casos mais graves da Covid-19. Ela só está liberada porque não existe ainda uma medicação testada no mundo. Como é um retroviral utilizada nos tratamentos longos e tem muita similaridade, e nos casos mais agudos, está sendo utilizada nos primeiros casos mais graves da doença. Não é recomendado se comprar nas prateleiras. Essa é orientação dos cientistas. Não está liberada para uso genérico”, esclarece.

Conforme o sindicalista, a enfermeira Alessandra Bárbara vinha sendo acompanhada 24 horas no antigo Pronto Socorro da Capital (PSMC), no bairro Bandeirantes, por uma equipe hospitalizada. Nos últimos instantes de vida os médicos perceberam uma paralisação dos órgãos em decorrência de uma infecção bacteriana e a cerca de 37 dias o rim estava passando por hemodiálise – que é um tratamento mais agudo que impede o mau funcionamento do órgão –, para não paralisar de vez.

O sindicalista frisa que Alessandra era portadora de diabetes e que a comorbidade foi um agravante no quadro da Covid. Os médicos teriam buscado reverter a situação da paciente utilizando de várias técnicas, como tratamentos com antibióticos, mas não obtiveram sucesso. Foi um tratamento semelhantes ao oferecido ao enfermeiro Athaíde Celestino, de 63 anos, que trabalhava na mesma unidade de Saúde Pública que Alessandra e faleceu antes.

“Esse medicamento não tem eficácia comprovada. Ontem ela [Alessandra] já teve problema hepático. Então estava sendo utilizado nela um coquetel formado por antirretovirais e antibióticos. É um coquetel de medicações que são utilizados nos tratamentos quando estão na UTI”.

“No caso do Athaíde foi suspenso [cloroquina] porque já deu arritmia nele. Vai testando o que você tem, a cloroquina não foi criada com essa finalidade”, afirma o presidente do Sisma-MT.

Alessandra deixa um casal de filhos e o marido. Ela atuou por18 anos no funcionalismo público da Saúde no Estado.

O velório segundo Oscarlino Alves ainda está sendo discutido nesta manhã, em virtude do risco de contágio.