USO POLÍTICO
“O oportunismo de candidatos tem se valido deste expediente”, diz secretário sobre Pátio Rondon
Em inspeção, Fabrício Correia voltou a comentar responsabilidade do Estado em gerir espaço de veículos
18 de Agosto de 2016, 13h55
Há 14 dias frente à Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito de Rondonópolis (Setrat), o novo secretário nesta reta final da atual gestão Percival Muniz (PPS), Fabrício Correia, voltou a frisar a responsabilidade do Estado em gerir o local destinado a veículos apreendidos Pátio Rondon. Arma política das coligações de oposição na campanha eleitoral, que cola a imagem do espaço ao candidato à reeleição, há tempos já devia, segundo o próprio secretário, ser de responsabilidade do Departamento Estadual de Transito (Detran-MT) em termos de gestão.
Correia segue realizando inspeções em espaços que competem a nova Pasta, desde que deixou a secretaria de Governo. Em entrevista ao GazetaMT, na sede do Pátio Rondon, informou que desde o início do ano não houveram mais conversas, bem como não há a disposição do Estado em assumir o que lhe compete. "Nossa última conversa foi no início do ano, ainda quando o secretário era o Argemiro [Ferreira]. O Pátio trata-se de uma concessão feita no passado pelo município justamente porque o Detran não tomava providência. Fizemos uma medida paliativa com a expectativa de que o Estado assumiria posteriormente", explica. "O Detran não fez nada, o governador [do Estado] da época também não e o atual idem. Coube à Setrat administrar a situação", diz.
O Pátio Rondon recebe veículos apreendidos por quaisquer motivos e, em tese, competiria ao órgão fiscalizador do Estado. Foi implantado devido ao alto número de carros e motos empilhados nos pátios das Delegacias e antiga sede do Detran de Rondonópolis. "Os pátios do Cisc [1ª Delegacia de Polícia], antiga sede do Detran, Derf [Delegacia especializada em roubos e furtos], por exemplo, estavam abarrotados de veículos. Até as blitz não vinham mais sendo feitas, por isso o prefeito acolheu a sugestão de assumir temporariamente a responsabilidade".
Até o presente momento não há sinal de acordo entre Município e Estado quanto a responsabilidade pelo Pátio Rondon.
Uso Político
Enquanto não há acordo, segue o Pátio Rondon como uma importante ferramenta eleitoral aos adversários políticos do candidato Percival. Impopular, a apreensão de veículos -correta em alguns casos, arbitrária em outros tantos-, impacta diretamente em sua rejeição. Arrecadação financeira, inchaço da máquina pública, excessos e arbitrariedade, burocracia, etc. Repousa na imagem do atual prefeito todos estes e mais encargos.
Questionado pela reportagem sobre o possível uso político, Correia atacou: "O oportunismo e a demagogia eleitoreira da alguns candidatos tem se valido deste expediente. A população precisa tomar conhecimento de que o município apenas pegou um fardo que era do Detran e tem tentado, desde então, trabalhar".
Em referência direta aos atuais adversários na corrida eleitoral, seguiu: "O Argemiro [ex-secretário] é ligado ao grupo que tem seu candidato e o Zé do Pátio [atual deputado estadual, candidato a prefeito] também tem que entender que não se trata de uma medida de governo, mas sim de gestão. Como gestor, nem ele poderia fazer nada diferente", finaliza.