CLARO DESCONHECIMENTO

Maysa Leão alerta para uso eleitoral da pauta da inclusão e cobra preparo de candidatos sobre neurodivergência

"Queremos compromisso durante os quatro anos de mandato, não apenas durante os 45 dias de campanha”, afirmou a parlamentar.

por Da redação

18 de Agosto de 2026, 16h55

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Divulgação

A vereadora Maysa Leão (Republicanos) chamou atenção, nesta terça-feira (18), para o tratamento dado à pauta da inclusão durante o debate entre candidatos ao Governo de Mato Grosso. Mãe atípica e defensora das políticas públicas para pessoas com deficiência e neurodivergentes, Maysa afirmou que o episódio reforça a necessidade de que o tema seja tratado com conhecimento, responsabilidade e compromisso permanente, e não apenas em períodos eleitorais.

Durante o debate, o senador Wellington Fagundes foi questionado pelo governador Otaviano Pivetta sobre políticas públicas para pessoas neurodivergentes e, demonstrou desconhecimento ao associar o termo  pessoas com dependência de drogas. “Neurodivergente não é adicto. É inadmissível que alguém que ocupa uma cadeira no Senado Federal e pretende governar Mato Grosso demonstre desconhecimento sobre uma pauta que envolve milhares de famílias. Inclusão não pode ser tratada de forma superficial, muito menos confundida com dependência química”, afirmou.

Maysa também questionou a fala sobre as instituições filantrópicas que atendem pessoas com deficiência, citando as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e as Pestalozzis. “Quando se fala em Apae, estamos falando, sim, de uma instituição filantrópica que presta um serviço essencial e faz política pública todos os dias. São escolas especializadas que acolhem famílias, promovem educação e garantem atendimento a pessoas com deficiência. Quem pretende governar precisa conhecer essa realidade”, destacou.

A parlamentar lembrou ainda a mobilização de famílias em defesa das instituições especializadas e da educação inclusiva. Para ela, a participação das famílias e das entidades que atuam na área precisa ser respeitada na formulação das políticas públicas. “Chega de colocar lacinho no peito e dizer que vai cuidar das famílias atípicas apenas quando chega a eleição. As famílias querem políticas públicas concretas, orçamento, profissionais valorizados, educação e atendimento. Queremos compromisso durante os quatro anos de mandato, não apenas durante os 45 dias de campanha”, afirmou.

Maysa concluiu reforçando que o desconhecimento sobre conceitos básicos da inclusão revela um problema maior na construção das políticas públicas. “É por isso que precisamos ocupar os espaços de decisão com pessoas que conheçam a realidade das famílias e saibam do que estão falando. A pauta da inclusão não é discurso eleitoral, não é favor e não é promessa de campanha. São direitos e vidas que precisam estar no centro das decisões do Estado”, concluiu.