RAQUEL DODGE
Nova procuradora deve reexaminar processos em andamento, diz Gilmar Mendes
O antecessor de Raquel, Rodrigo Janot, apresentou a denúncia ao STF na última quinta-feira (14)
18 de Setembro de 2017, 16h37
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou hoje (18) que a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que tomou posse nesta manhã, deve reexaminar processos em andamento, como a denúncia de organização criminosa e obstrução da Justiça contra o presidente Michel Temer. O antecessor de Raquel, Rodrigo Janot, apresentou a denúncia ao STF na última quinta-feira (14).
"Certamente, haverá revisões. Não vou dar opinião sobre isso. Certamente, a procuradora-geral vai fazer uma reanálise de todos os procedimentos que estão à sua disposição, de maneira natural ou provocada, para evitar erros e equívocos que estavam se acumulando", disse o ministro, após doar R$ 30 mil à instituição brasiliense de atendimento infantil Casa da Mãe Preta.
O presidente do TSE e ministro do Supremo Tribunal Federal afirmou ainda que considera o mandato de Janot ineficiente. "Eu tenho a impressão de que, ao fim e ao cabo, tivemos muitos tumultos, muitos desacertos. Os episódios últimos, envolvendo a delação da JBS, creio que mostram bem isso, umas certas - vamos chamar assim - trapalhadas, umas certas perplexidades, que resultaram em ineficiência do próprio trabalho da PGR [Procuradoria-Geral da República]", afirmou o ministro.
O ministro Gilmar Mendes doou à Casa da Mãe Preta o valor obtido em uma indenização paga pela atriz Monica Iozzi, que o criticou na rede social Instagram. Monica havia manifestado indignação com a decisão do ministro de soltar o médico Roger Abdelmassih, condenado a 181 anos de prisão por 48 estupros.
Congresso
Perguntado sobre a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal decidir sobre a reforma política, Gilmar Mendes disse que a Corte deve analisar a questão da coligação proporcional, caso não avance na Câmara dos Deputados, verificando se há processos sobre o assunto. "A Câmara ainda precisa discutir e aprofundar a questão nos últimos dias que nos restam em relação ao princípio da anualidade, para que nós saiamos um pouco desse quadro de crise, que foi engendrado também pelo modelo institucional anterior", disse.
Para o ministro, o Congresso também tem "sofrido muito em função dessas mazelas engendradas pelo sistema político que aí está". "É um Congresso que tem votado todas as leis e, certamente, temos que esperar que o Congresso atenda a esses apelos da população", concluiu.