RETA FINAL
Foco na correção de erros, treino do tempo e controle da ansiedade são estratégias essenciais para as últimas semanas de preparação
Foco na correção de erros, treino do tempo e controle da ansiedade são estratégias essenciais para as últimas semanas de preparação
19 de Outubro de 2026, 14h28
A menos de um mês do Enem 2026, estudantes que ainda tentam revisar todo o conteúdo podem acabar trocando o planejamento por maratonas de estudo. Para especialistas, o melhor uso das últimas semanas passa por definir prioridades, entender os próprios erros e preservar o descanso. As provas serão aplicadas nos dias 8 e 15 de novembro.
“Nessa reta final, o mais importante é entender que não é hora de aprender tudo de novo. É hora de organizar e consolidar o que foi estudado ao longo do ano”, afirma Herik Hedem Pinto Araújo, professor de Biologia e diretor do Colégio Maxi, em Cuiabá.
O primeiro passo, segundo o educador, é fazer um diagnóstico das dificuldades. Antes de montar o cronograma, o candidato deve retomar os últimos simulados e as listas de exercícios para identificar os assuntos em que concentra os erros. O cruzamento dessas dificuldades com os conteúdos mais presentes nas provas anteriores ajuda a definir o que merece mais atenção.
“O estudante pega os últimos simulados e as listas de exercícios e identifica onde está errando mais. Esses pontos a desenvolver, cruzados com os conteúdos que mais aparecem no Enem, viram a prioridade da revisão”, explica.
As apostas de conteúdo podem ajudar a organizar o estudo, mas não devem transformar a preparação em uma tentativa de adivinhar a prova. A matriz de referência do Inep delimita as competências e os conhecimentos avaliados e destaca habilidades como interpretação, resolução de situações-problema e construção de argumentos. Isso reforça a importância de exercitar a aplicação do conteúdo, além de memorizar conceitos.
Para o professor, a revisão precisa ser ativa. Em vez de apenas reler o caderno, o estudante deve resolver questões de edições anteriores, produzir resumos curtos, elaborar mapas mentais e explicar o conteúdo em voz alta. A orientação é dedicar a maior parte do tempo aos exercícios e usar o restante para retomar a teoria relacionada aos erros.
A redação também precisa ter espaço fixo no planejamento. O professor recomenda produzir pelo menos um texto por semana, de preferência com correção, para que o candidato reconheça as dificuldades e trabalhe nelas antes do exame.
Organização e Cronograma
Outro cuidado é treinar em condições semelhantes às da aplicação. Fazer simulados com tempo marcado permite exercitar a leitura, a concentração e a distribuição dos minutos entre as questões. No primeiro domingo, os participantes terão cinco horas e meia para Linguagens, Ciências Humanas e Redação. No segundo, serão cinco horas para Ciências da Natureza e Matemática.
“A prova é longa e um dos grandes desafios enfrentados pelo candidato é a gestão do tempo de prova, a atenção à leitura e a quantidade de questões”, observa.
Essa divisão entre as áreas também pode orientar a organização da semana. A proposta é reservar alguns dias para os componentes do primeiro domingo e outros para os do segundo, com mais atenção aos conteúdos que o estudante identificou como difíceis.
“Um cronograma realista, que o aluno consegue cumprir, vale muito mais do que um cronograma perfeito que ele abandona no terceiro dia”, ressalta.
Além do estudo individual, alguns colégios mantêm plantões de dúvidas no contraturno para auxiliar os alunos nessa fase. No Colégio Maxi, onde Herik atua, o espaço de estudos oferece cabines individuais, internet, tomadas e acompanhamento de um plantonista. A instituição integra o Grupo Salta, rede de ensino à qual pertence.
“Aqui no Maxi, no contraturno, temos os plantões de dúvidas disponíveis em nossa sala de estudos”, afirma o professor. Segundo ele, a proposta é permitir que o aluno mantenha uma rotina autônoma de revisão, com apoio para esclarecer as dificuldades que surgirem.
Descanso é fundamental
O planejamento, porém, também precisa reservar tempo para o descanso. O diretor orienta os candidatos a manter o sono, a alimentação e alguma atividade física, evitando virar noites estudando. Na véspera, a recomendação é descansar.
Para o educador, estabelecer metas possíveis e acompanhar o próprio progresso ajuda a lidar com o nervosismo das últimas semanas. “A ansiedade diminui quando o estudante percebe que tem um plano e está cumprindo esse plano”, conclui.