CPI
Thiago Muniz (PPS) vai propor que futuros vereadores investiguem obra da Travessia Urbana.
O novo pedido deverá ser apresentado em janeiro e precisará do apoio de um terço dos 21 novos vereadores; obra continua em ritmo lento
19 de Novembro de 2012, 17h09
O vereador eleito Thiago Muniz (PPS) anunciou hoje (19) que vai propor em janeiro a abertura de uma Comissão de Inquérito na Câmara Municipal para apurar suspeitas de irregularidades na obra da travessia urbana da BR-364 em Rondonópolis. Segundo ele, a idéia é esclarecer dúvidas e buscar condições para acelerar a conclusão da obra que se arrasta desde 2009.
"A comunidade exige e nós, que fomos eleitos, precisamos dar uma resposta. Queremos entender porque a obra está amarrada, porque tem tantos defeitos e de quem é a responsabilidade. A população tem o direito de saber porque em outras cidades as obras começam e terminam com qualidade e aqui em Rondonópolis isso não acontece", declarou Thiago Muniz.
O futuro parlamentar disse que ainda não discutiu o assunto com outros colegas da próxima legislatura, mas acredita que não terá dificuldades para conseguir as sete assinaturas que precisará para forçar a abertura das investigações.
Em julho deste ano o vereador Milton Mutum (PSD) chegou a protocolar um pedido de abertura da CPI, mas a proposta acabou sendo engavetada sob a alegação de não ter cumprido normas regimentais. Nos bastidores, a explicação foi que o período eleitoral poderia prejudicar o andamento das investigações pela Câmara.
"Não temos mais esse problema. A eleição passou e não há mais como alegar motivação eleitoral. Precisamos resolver esse problema urgentemente e creio que os vereadores eleitos vão acatar a proposta, independente de quem está propondo" avalia.
Vergonha
Thiago Muniz disse que já conversou sobre o assunto com o prefeito eleito, Percival Muniz, e também com trabalhadores e empresários que atuam nas proximidades da rodovia. Conforme ele, a situação atual envergonha a cidade e tem causado muitos prejuízos às empresas localizadas no entorno da obra.
"O que era para ser um benefício, virou um transtorno, inclusive causando acidentes e mortes. A população quer que a gente investigue, o prefeito eleito também já sinalizou que não criará obstáculos. Cabe então à Câmara fazer a sua parte e elucidar o que foi feito com milhões de reais já investidos aqui", destaca.
Segundo Thiago, a investigação será o primeiro passo de um trabalho que pretende dar uma 'cara nova' as vias de acesso ao município. "Após o Poder Público fazer sua parte, concluindo a obra, vamos buscar parcerias para realizar obras de urbanização e paisagismo. Queremos que as entradas do município sejam um cartão postal da cidade", concluiu.
Novela
A obra da travessia urbana foi licitada em 2008 e a expectativa era de que fosse concluída em 2011. Ela está orçada em cerca de R$ 54 milhões de reais, sendo que R$ 27 milhões já foram pagos.
A obra já teve várias paralisações, algumas delas causadas por falhas no projeto. Em fevereiro deste ano ela chegou a ser paralisada após a descoberta de problemas graves em um trecho recém entregue. Em junho os serviços voltaram a parar, após a decretação da recuperação judicial empreiteira que ganhou a licitação, a Objetiva Engenharia.
Recentemente a Prefeitura anunciou a entrada na obra de uma outra empresa, a Equipav S/A. As informações eram de que esta nova empresa havia assumido 30% do serviço. A promessa era de que o reforço ajudaria a agilizar o andamento, porém as obras continuam em ritmo lento e sem sinal de que serão concluídas dentro do novo prazo estabelecido pelo Ministério dos Transportes - que termina em junho de 2013.