TRAIÇÃO

“Marreta” confessa assassinato de líder do CV por ser informante da polícia

O crime ocorreu no dia 26 de outubro, na cela onde os dois ficavam na Capital.

por Cuiabá, MT - Daffiny Delgado

19 de Novembro de 2019, 14h00

“Marreta” confessa assassinato de líder do CV por ser informante da polícia
“Marreta” confessa assassinato de líder do CV por ser informante da polícia

Reprodução / Montagem

Em depoimento prestado na Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) na segunda-feira (18), o detento Luciano Mariano da Silva, conhecido pela alcunha de "Marreta", confessou ter tirado a vida do companheiro de cela, Paulo César dos Santos, o “Petróleo”, ambos apontados como líderes da facção Comando Vermelho.

Petróleo foi morto na noite do dia 26 de outubro, no raio 5 da Penitenciária Central do Estado (PCE), mas o corpo só foi encontrado pelos agentes no início da manhã do dia 27.

Luciano e Paulo Cesar se tornaram réus processo relativo à Operação Assepsia, que desarticulou um esquema que facilitava a entrada de aparelhos celulares na PCE.

Inicialmente, Marreta negava qualquer participação na morte do colega de fação, no entanto, ele optou por colaborar com as investigações e confessar a autoria do crime para o delegado Caio Albuquerque.

Conforme depoimento, o detento afirmou que resolveu tirar a vida de Petróleo após ficar sabendo da traição do colega e, também por temer pela própria vida. Ele explicou ainda que agiu sozinho.

Marreta contou que dois dias antes de matar o colega de cela descobriu que ele estava repassando informações sobre “seus negócios fora da cadeia” para Policiais Militares da Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam).

"Somente na audiência de quarta e quinta-feira anteriores à localização do corpo [de Petróleo] é que “eu fiquei sabendo do regaço que ele tinha feito na minha vida”. Que não tinha dúvida de que Petróleo estava entregando, pois a versão das pessoas em juízo era exatamente a mesma daquilo que o interrogado havia conversado dentro de cela na companhia da vítima”, diz trecho do depoimento.

“Os outros três presos que estavam lá são inocentes, o problema é entre Petróleo e Marreta”, completou.

Após a audiência, no trajeto de volta à PCE, Marreta chegou a perguntar à vítima o motivo de ele estar o entregando. Petróleo teria respondido “depois da visita nós conversa (sic)”.

No entanto, após a visita que ocorreu no dia 26 de outubro, os dois não conversaram mais. Marreta ressaltou que quando todos já estavam deitados para dormir, "Petróleo" o observava, causando-lhe desconforto".

Corda no pescoço

Ainda conforme depoimento, Marreta explicou detalhadamente como tirou a vida de Petróleo.

Por volta das 23h, do dia do crime ele contou que foi até o banheiro da cela, em posse de um lençol e um vidro de perfume.

Em seguida, contou que foi até a cama de Petróleo passando o lençol ao redor de seu pescoço e passou a asfixia-lo até a morte. No ato, ele ainda chegou a derramar o vidro de perfume no rosto do reeducando.

Por fim ele conta que, arrastou a vítima até o banheiro e em seguida, o pendurou pelo pescoço com a ajuda do lençol. Conforme apertava o lençol, media os batimentos da vítima pelo pulso. E que após constatar a morte, passou a limpar o local para esconder suas digitais.

Operação Assepsia

O delegado da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) Ferdinando Murta, afirmou que as investigações começaram após uma grande apreensão de celulares, registrado no dia 06 na PCE, onde mais de 80 celulares foram encontrados dentro de um freezer.

A operação cumpriu 15 ordens judiciais expedidas pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá. As ordens foram determinadas depois de representação dos delegados e manifestação favorável do Ministério Público Estado, via o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (GAECO).

Além das prisões preventivas dos servidores públicos e dos líderes da facção criminosa, foram cumpridas medidas de busca e apreensão nas dependências da Penitenciária Central do Estado.