OPINIÃO
As quatro qualidades fundamentais de um CEO
19 de Fevereiro de 2026, 07h25
“Liderança não é sobre títulos, cargos ou hierarquias. Trata-se de uma vida que influencia outra.” A frase do autor norte-americano John Maxwell traduz com precisão o papel central do CEO dentro de uma organização: mais do que comandar, ele precisa inspirar. Ser a referência que orienta decisões, sustenta a cultura e move pessoas na direção de um propósito comum.
De fato, CEOs de alto desempenho sabem que nenhum sucesso é conquistado de forma isolada. Eles constroem e desenvolvem equipes excepcionais ao seu redor, cultivando uma cultura de abertura, escuta ativa e verdadeira satisfação em ver outras pessoas brilharem. E entendem que liderar é sobre criar ambientes onde talentos podem florescer — e não concentrar protagonismo.
Se, por um lado, esses líderes precisam dominar habilidades comportamentais, como empatia, comunicação e gestão de relacionamentos, por outro, também devem combinar esse repertório com uma visão analítica sólida, capaz de orientar decisões complexas, manter a execução alinhada e coordenar, com precisão, a “orquestra” que transforma estratégia em resultado. Acima de tudo, são resilientes: enfrentam desafios com clareza, consistência e capacidade de adaptação.
Ou seja, um bom CEO lidera pelo exemplo, demonstrando profissionalismo e entusiasmo pela organização. É confiável e dedicado à sua função, e espera o mesmo de seu time. Aqui estão quatro qualidades fundamentais de um executivo nesta posição:
- Visão estratégica
Ter visão estratégica é exercitar pensamento crítico, analítico e visionário sobre o futuro. É uma competência valiosa para qualquer profissional, mas para um CEO, é indispensável. Cabe a nós interpretar tendências de mercado, compreender as tecnologias que suportam processos e, ao mesmo tempo, identificar oportunidades que levem em conta crescimento, experiência do cliente e inovação — para transformar tudo isso em caminhos claros que impulsionem a organização em direção aos seus objetivos. Guiar a empresa na direção certa exige prever cenários de curto e longo prazo, preparar-se para cada um deles e tomar decisões que alinhem propósito, execução e impacto. Poucas habilidades são tão decisivas quanto esta para o cargo de CEO.
- Habilidades sociais e de comunicação
Colocar empatia, acolhimento e clareza no centro das interações é parte essencial do papel de um CEO — seja com equipes, Conselhos, áreas corporativas ou Comitês. Comunicar boas ideias, inspirar pessoas e “vender” propostas estratégicas são habilidades determinantes para maximizar resultados.
No ambiente interno, reconhecer cada colaborador em sua individualidade é crucial. Cada pessoa chega com crenças, emoções e expectativas próprias. Ao compreender e respeitar essas diferenças, ampliamos nossa capacidade de influenciar, persuadir e construir relações significativas em todos os níveis.
Honestidade e transparência também são pilares. A coragem de defender a própria leitura da realidade, combinada à habilidade política de saber como e quando comunicar, fortalece a credibilidade do líder.
Nenhuma estratégia avança sem adesão. E adesão não é sinônimo de concordância plena: muitas vezes, trata-se de confiança no líder e disposição de seguir uma direção mesmo sem conhecer todos os detalhes. Conselhos, acionistas, áreas corporativas e stakeholders atribuem ao CEO essa legitimidade. Por isso, comunicar com precisão e construir confiança não são apenas competências desejáveis — são essenciais para a liderança efetiva.
- Adaptabilidade
"Não é o mais forte das espécies que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”. A icônica frase atribuída a Darwin destaca a importância da adaptabilidade como fator essencial para a sobrevivência. E isso vale para o ambiente de negócios. CEOs devem ser adaptáveis e flexíveis. Devemos ser capazes de antecipar e responder às mudanças nas condições de mercado, às novas tecnologias e preferências do consumidor. Isso requer a capacidade de pensar criativamente e desenvolver novas estratégias, assim como disposição de mudar quando necessário. É saber que a organização sempre navega águas novas e diferentes, que ninguém vive de glórias passadas, então o que antes funcionou, pode não necessariamente ser a ferramenta para esse novo contexto. Quando estamos dispostos a abraçar a mudança, conseguimos identificar oportunidades, detectar tendências emergentes e ficar um passo à frente da concorrência.
- Cultivar uma mentalidade positiva
A mentalidade positiva é a base do sucesso pessoal e profissional porque molda a forma como interpretamos desafios e oportunidades. Pensar de forma otimista significa focar em soluções, sem ignorar dificuldades. Líderes com essa mentalidade enfrentam obstáculos com resiliência, criatividade e clareza.
Como executivo, aprendi que permanecer positivo — mesmo diante de pressões e incertezas — é determinante para seguir adiante. Incentivar comunicação aberta, fortalecer feedbacks, estimular inovação e apoiar programas de bem-estar ajuda a criar ambientes mais leves, colaborativos e produtivos.
Esta é a pedra angular do sucesso pessoal e profissional, pois molda como percebemos desafios e oportunidades. A mentalidade positiva é caracterizada pelo pensamento otimista, onde nos concentramos em soluções ao invés de problemas. Pensadores positivos não ignoram as dificuldades; na verdade, reconhecem os contratempos como parte do processo de crescimento, o que promove resiliência e adaptabilidade. Por sua vez, pensamentos negativos tendem a limitar o pensamento, subestimar conquistas e gerar uma variedade de sentimentos negativos.
Fato é que o mindset positivo ajuda a superar situações adversas com muito mais rapidez e com melhores resultados.
Cuidar dos próprios equilíbrios, da saúde física, mental e espiritual, investir em autoconhecimento, fortalecer vínculos que nos nutrem, buscar bons mentores e assessores, e ler obras que ampliam nossa visão de mundo (não apenas livros de management, mas também de sabedoria de vida) são práticas indispensáveis para o desenvolvimento de um grande líder. São elas que sustentam altos níveis de produtividade ao longo dos anos e nos permitem guiar e inspirar muitas pessoas pelo caminho.
Por Felipe Leonard, CEO e Presidente da S.I.N.