FRAUDES NAS COTAS
Estudantes brancos que se declararam negros devem perder vaga na UFMT e UFR
UFMT teve caso de japonesa que se declarou negra. Redes sociais ajudaram nas denúncias
19 de Março de 2019, 10h07
A Supervisão de Registro Escolar da Universidade Federal de Mato Grosso -UFMT publicou o resultado definitivo dos estudantes inelegidos, que ingressaram nos cinco campus da instituição de maneira indevida, usando cotas destinadas para negros, pardos, indígenas e estudantes de escolas públicas. A reportagem é de Márcio Camilo, do Repórter MT.
Dos 125 estudantes que tentaram reverter a perda da matrícula, 59 tiveram pedido indeferido pela UFMT, que entendeu que eles não possuíam os fenótipos (cor e características físicas) de negros, pardos ou indígenas. A decisão é do último dia 7 de março e não cabe mais recurso dentro da esfera administrativa da universidade.
A fiscalização ocorreu depois que o ativista do movimento negro Vinicius Brasilino denunciou a suposta fraude nas redes sociais, no início de janeiro. Uma estudante denunciada é de origem japonesa e se declarou negra para buscar uma vaga pelo sistema de cota.
O caso também é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF), que no mês passado abriu um procedimento chamado de "Notícia de Fato", que foi encaminhado "para o Ofício de Cidadania, onde a denúncia será apurada". O procedimento é o primeiro passo antes de abrir inquérito para investigar mais afundo o caso.
No campus da Universidade Federal de Rondonópolis -UFR, emancipada da UFMT, 22 estudantes entraram com recurso, desses 15 foram indeferidos e 7 deferidos.
Casos
Em todo o Estado, quase 230 candidatos a vagas de cotistas na Universidade Federal de Mato Grosso tiveram o ingresso barrado após denúncias de fraudes no sistema. Candidatos não pretos ou não índios, por exemplo, se autodeclaram como tais.
Contando com os da capital Cuiabá e das cidades interior, o número total de candidatos barrados é de quase 230: 107 em Cuiabá, 17 em Várzea Grande, 19 em Sinop, 54 em Rondonópolis e 27 no Araguaia.