SERÁ QUE MUDOU?
Wellington Fagundes sinaliza influência popular na decisão sobre impeachment no Senado
19 de Abril de 2016, 07h39
Membro da bancada de base ao Governo, remanescente e presidente do Partido da República de Mato Grosso (PR-MT), o senador rondonopolitano Wellington Fagundes começa a amenizar, no discurso, seu posicionamento outrora ferrenho em relação à votação aberta pela Câmara dos Deputados e encaminhada ao Senado, que poderá ou não manter temporariamente o impedimento do mandato da presidente da República Dilma Rousseff (PT).
Alvo de críticas e campanhas de boicote, Fagundes se manteve desde o início contrário ao processo que mira a presidência e aliado à base, negando-se à debandada política de parlamentares que optaram por siglas de oposição neste momento oportuno. Sobre a votação no Senado, em outra instância o senador projeta atuação técnica, mas não esconde o peso e influência que partem das manifestações que saem às ruas. "Cabe aos senadores começar com a comissão que irá fazer o julgamento técnico e analisar se houve as pedaladas fiscais. Mas os sentimentos das ruas também serão acolhidas nesse caso", disse em recente entrevista.
Também admitido pelo senador está a vulnerabilidade do atual governo, atribuída por ele à falta de diálogo junto ao Congresso nacional, e a legalidade do processo de impeachment. "O grande erro de Dilma foi quando reeleita não chamou todos (os partidos) para uma conversa e resolver os problemas do Brasil, protelou e agora vive esse governo melancólico". "Nos últimos 4 governos, dois foram impedidos de terminarem o mandato, mas, se continuar dessa forma as pessoas não irão valorizar os votos, elegem e depois tiram. E não dá pra ficar com um governo sangrando que não consegue votar as matérias de interesses do país".
Mesmo após as declarações e reconhecimento à opinião popular, Wellington Fagundes deverá se manter contrário ao impedimento e conduzir nesta linha seu voto. Neste momento, porém, o senador faz mistério.
Etapa
O presidente do Senador Renan Calheiros (PMDB) convocou uma reunião nesta terça-feira (19) com todos os líderes dos partidos no Senado para falar sobre os prazos, proporcionalidade de cada bancada para a composição da comissão. Na mesma data, o processo será lido na sessão deliberativa do plenário.