NARGUILÉ

Os riscos de um modismo que envolve a juventude

Preocupação toma força também na Câmara de Vereadores

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19 de Maio de 2017, 10h35

Os riscos de um modismo que envolve a juventude
Os riscos de um modismo que envolve a juventude

Na sessão da última quarta-feira, 17, o vereador Subtenente Guinâncio (PSDB) usou a tribuna para levantar um problema que, segundo o vereador, está invadindo a cidade: o uso do narguilé.

O cachimbo de água, tradicional nos países do Oriente Médio, tem se popularizado em toda a Europa e também no Brasil, principalmente entre os jovens que acreditam nos prejuízos menores do que fumar cigarro.

Estudos apontam que tanto o narguilé quanto o cigarro provocam doenças graves, como câncer principalmente de boca, garganta e pulmões. A Organização Mundial da Saúde, inclusive, já se posicionou quanto aos perigos do uso do narguilé, até porque acontece a liberação de monóxido de carbono durante as sessões que reúnem a juventude em volta do aparelho.  

A preocupação do vereador Guinâncio está embasada também nos números levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, que aponta um crescimento espantoso na popularidade e uso do narguilé no Brasil, que constata a cada ano cerca de 100 mil novos usuários desde 2008.Moda entre os jovens preocupa médicos e pode ser alvo de campanha de esclarecimentos. Foto: ilustrativa

Uma questão de saúde pública

Na análise do médico da unidade municipal de saúde do Parque Universitário, Dr. Pedro Maggi, o uso do narguilé precisa ser visto como um problema de saúde pública. "Percebemos que o aumento no número de usuários, principalmente entre os jovens, é grande. Afinal é tabagismo e, sobre o cigarro já temos estudos e controle, inclusive com campanhas eficientes que estão reduzindo a incidência entre jovens e adultos. E o narguilé? Ainda não se sabe ao certo os efeitos das essências usadas, de quantos produtos maléficos existem na composição desses fumos cheirosos e saborosos vendidos sem controle para todo o tipo de público", diz o médico.

A 'brincadeira' tem mais um agravante, de acordo com o médico. "Hoje os pais não percebem que o uso do narguilé representa um risco à saúde dos jovens. A roda de amigos em volta de um aparelho exalando fumaça espessa e cheirosa é, ainda, vista como uma recreação por muitos adultos. Isso é um perigo que deve ser alertado. Mas enquanto não se tem nenhuma política pública ou iniciativa local de controle e combate ao uso, a questão é tratada como uma 'brincadeira' da juventude", alerta Dr. Pedro.

Dos poucos estudos relativos aos males que o uso do narguilé representa à saúde, a maior preocupação está na dependência química. "O narguilé vicia, igual o cigarro. A diferença que o cigarro já sabemos que tem 4.700 substâncias prejudiciais, quanto ao narguilé pouco ou quase nada se sabe. Mas já tem casos comprovados de desenvolvimento de enfisema pulmonar, obstrução pulmonar crônica e outras doenças graves provocadas pelo uso frequente do narguilé. Outra constatação já divulgada é que uma tragada de narguilé representa o consumo de 20 cigarros. Realmente está na hora de se atentar para o problema", recomenda Dr. Pedro Maggi.