CAOS NACIONAL
Secretário de Saúde: “Não é possível que um país fique à deriva sem a nomeação de um ministro”
Secretário de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo, vê demora na substituição do ex-ministro Nelson Teich, como um “estrangulamento” do setor
19 de Maio de 2020, 10h15
O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, criticou a falta de agilidade do Governo Federal em nomear um novo ministro da Saúde em substituição ao ex-ministro Nelson Teich, que deixou o cargo há 5 dias após uma suposta crise interna com o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (sem partido).
Antes de Teich, Luiz Henrique Mandetta deixou o cargo de ministro dentro de um prazo de aproximadamente 90 dias de gestão contados do início da pandemia.
As declarações de Figueiredo foram dadas na manhã desta terça-feira (19), durante coletiva virtual adiada na segunda-feira (18). O adiamento, entretanto, teria ocorrido por conta da morte da servidora pública da Saúde estadual, Alessandra Bárbara, de 49 anos, que prestou serviços por 18 anos ao Estado e foi acometida com o vírus letal.
“Não é possível que um país fique à deriva sem a nomeação de um ministro, para que possa se inteirar o mais rápido possível das necessidades que nós temos no enfrentamento”, rechaça o secretário.
Ao Gazeta MT o secretário criticou a situação caótica em meio a pandemia do novo coronavirus (Covid-19), uma vez que a inviabilidade de gestão com a ocupação do cargo contraria os Estados a adotarem medidas que possam contribuir para o enfrentamento da doença.
Para Figueiredo, a substituição de Teich deveria ocorrer no mesmo dia.
“A falta de uma condução nacional traz sim um estrangulamento da Saúde do país. Isso não é confortável, nós estamos no meio de uma pandemia e essas soluções no meu entendimento quando necessário, as substituições tem que acontecer no mesmo dia, basta ver o número de secretários de Saúde que infelizmente ao longo desse período já foram substituídos e as soluções foram céleres”, contextualiza.
Outro ponto conflitante, devido ao cargo vago, conforme o secretário, é a falta de um diálogo direto com o ministro da Saúde afim de que o Estado tenha mais leitos de internação para pacientes de tratamento contra a Covid-19. O secretário explica que o cenário prejudicou Mato Grosso a adquirir equipamentos respiradores.
“Eu não diria especificamente o Estado de Mato Grosso, o que pesa e afeta também. Eu citei por exemplo que temos 10 leitos de UTI do Ministério da Saúde sem nenhum respirador, isso afeta né. Mas, afeta todos os estados e afeta o trabalho de todos os secretários de Estado e municipais”, disse.
Nesta segunda-feira, foram notificados 941 casos confirmados do vírus gripal. Deste número, 73 estão internados, 501 fazem isolamento domiciliar, 337 se recuperaram da doença e 30 morreram.
A expectativa, de acordo com Figueiredo, é que esse número cresça nos próximos dias, em virtude da frente fria e da flexibilização do comércio, uma vez que a população necessita de trabalhar.
Conforme os dados, Mato Grosso ainda não alcançou o pico da doença.