A queda da Bastilha
19 de Junho de 2013, 08h43
Um dos acontecimentos mais marcantes da história da foi a queda da Bastilha na França em 1789.
A Bastilha era uma fortaleza construída por Carlos V, entre 1369 e 1382, com oito torres, muralhas de 25 metros de altura cercadas por fossos, "igual nos filmes". A Bastilha Fora até morada de reis, por último transformara-se numa prisão, era o símbolo do poder de uns e da desgraça de muitos.
A França em 1789, era a radiografia colorida do pode-tudo dos privilegiados do Rei, só como exemplo, graças as cartas assinadas em branco por este (as almejadas lettres du cachet), os nobres, podiam usar instalações da Bastilha como cárcere dos seus desafetos.
O preso nem sempre era informado do seu delito, nem o quanto duraria sua "estadia". Poderia ficar ali por meses , como ocorreu com Voltaire, ou por anos.
Nos últimos tempos a bastilha já estava desativada. Quando a assaltaram havia apenas sete presos em suas masmorras. Mesmo assim, segundo a história, sua sombra parecia cobrir Paris inteira, sendo que do alto dos seus torreões as sentinelas posavam como se fossem os olhos do velho regime, tudo vendo, tudo cuidando, em estado de alerta contra todos.
A grande prisão do estado terminou sendo invadida porque um jornalista, Camille Desmoulins, até então desconhecido, soltou um boato pelas ruas dizendo que as tropas reais estavam prestes a desencadear uma repressão sangrenta sobre o povo de Paris. Todos deviam socorrer-se das armas para defender-se. A multidão ensandecida foi informada que a pólvora estava estocada na bastilha. Marcharam então para lá.
Durante o ataque, o marquês de Launay, governador da Bastilha, ainda tentou negociar. Os guardas, no entanto, descontrolaram-se, disparando na multidão. Indignado, o povo reunido na praça em frente partiu para o massacre.
Launay teve um fim trágico. Foi decapitado e a sua cabeça espetada na ponta de uma lança desfilou pelas ruas.
O episódio extraordinário e inimaginável até então, teve um efeito eletrizante. Não só na França mas onde a notícia chegou provocou um efeito imediato. Todos perceberam que alguma coisa espetacular havia ocorrido.
O ponto fora da curva foi o relato de launay poucas horas antes da queda da Bastilha, "apenas alguns arruaceiros em frente a Bastilha".
Tal lá como cá, a revolta não é pela Bastilha já inativa e quase abandonada é pelo que ela representa, não são 0,20 centavos de transporte público de São Paulo que movem os mato-grossenses a irem para as ruas, são os milhões que escorrem pelos escândalos Globaltch, maquinários, precatórios, cartas de créditos, estradas ruins com pedágios, promessas não cumpridas e confiança traída.
Quem estiver no poder que ponha as barbas de molho. O exemplo de Launay está ai e os "arruaceiros" estão nas ruas.
José Antonio dos Santos Medeiros
1º suplente senado