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Produtores de soja têm pressa para início do novo Plano Safra

por G1

19 de Junho de 2019, 09h13

Produtores de soja têm pressa para início do novo Plano Safra
Produtores de soja têm pressa para início do novo Plano Safra

Produtores rurais estão com opiniões divididas após a divulgação do Plano Safra 2019/20, lançado nesta terça-feira (18), em Brasília. Para produtores de soja, o atraso no lançamento do plano prejudicou o planejamento da atividade, já para agricultores familiares, existe apreensão para os próximos anos.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Bartolomeu Braz Pereira, afirmou que o setor tem pressa para que as novas linhas sejam implementadas pelos bancos.

Braz disse que o atraso no anúncio do plano, provocado pelo impasse na liberação do crédito suplementar pelo Congresso ao governo federal, afetou o calendário do principal produto do agronegócio brasileiro.

Para os representantes da agricultura familiar, um ponto positivo foi o anúncio de R$ 500 milhões para a construção de 10 mil moradias rurais, uma novidade no plano. Mas o setor queria pelo menos R$ 3 bilhões para garantir a construção de 60 mil casas.

“Nós pedimos R$ 3 bilhões com juros subsidiados, mas a minha expectativa é que as 10 mil [moradias] sejam um início para avaliar [mais recursos] para o próximo ano. É um bom começo”, disse o secretário de política agrícola da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Antoninho Rovaris.

O governo anunciou nesta terça que vai liberar R$ 225,59 bilhões em financiamentos para pequenos, médios e grandes produtores. A liberação dos recursos do plano agrícola começará em 1º de julho e seguirá até junho do ano que vem. O valor é pouco acima dos R$ 225,3 bilhões anunciados na safra passada.

Menos burocracia

Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a promessa do governo de enviar uma Medida Provisória para distribuir os recursos oficiais subsidiados para bancos privados e cooperativas pode dar mais competitividade para o setor.

A confederação destacou ainda que o Plano Safra desta temporada vai diminuir a burocracia do setor.

“Um exemplo é a questão das garantias bancárias, agora o produtor não vai precisar hipotecar a propriedade inteira, a garantia vai ser correspondente ao valor do financiamento, isso dá mais agilidade e ajuda quem produz mais de uma cultura”, explicou o superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi.

Apreensão

Os representantes da agricultura familiar estão apreensivos com o futuro de políticas públicas para o setor, especialmente sobre o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

A justificativa é que a ideia do governo de unir pequenos e grandes produtores em um mesmo plano, o que não acontecia há mais de duas décadas, possa mudar o direcionamento de recursos públicos para a atividade.

Novidade do plano

Outra novidade do Plano Safra 2019/20 foi a inclusão de pesca e aquicultura nas linhas de financiamento desta temporada. O presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, explica que a mudança facilita o acesso ao crédito.

“É o principal fator, vai atender mais fatias [tamanhos] de produtores. Esperamos que isso seja mantido nos próximos planos. Outra novidade, que precisa se confirmar, é que o Ministério da Agricultura prometeu a não pedir mais o Registro Geral do Piscicultor na hora de pedir financiamento”, disse Medeiros.

'Expectativa é boa'

Bartolomeu Braz, da Aprosoja Brasil, disse que o Plano Safra está dentro das expectativas e ressalta como pontos positivos o aumento do subsídio ao seguro rural e nas linhas de crédito para o Programa de Construção de Armazéns (PCA) e para o Programa para Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC), linha de crédito utilizada para a recuperação ambiental das propriedades.

“Foi importante R$ 1 bilhão para o seguro rural porque isso traz uma certeza para o setor e a certeza é um dos pilares principais de uma política agrícola. A expectativa é boa”, reforçou Braz.