VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
Dra Natasha faz palestra para professores em Lucas do Rio Verde
Natasha, em sua palestra, salientou que não há sociedade plena sem o respeito à diversidade
19 de Julho de 2022, 18h28
Lucas do Rio Verde foi a terceira cidade de Mato Grosso a receber o Movimento Conecta para discutir com a comunidade escolar a violência contra mulheres. Na noite desta segunda-feira (18) mais de 100 profissionais da educação marcaram presença no auditório da Câmara Municipal para participar do "Conectando Saberes''. Através de palestras, voluntárias do Movimento Conecta, baseadas na lei 14.164/2021, promovem o debate sobre os tipos de violência praticados contra as mulheres, apresentam a cultura de paz e motivam professores a tornar o assunto corriqueiro em sala de aula para que os alunos se tornem multiplicadores e agentes transformadores dessa realidade. A médica Natasha Slhessarenko é uma das integrantes dessa grande ação, que também discute com as crianças e adolescentes, no ambiente escolar, a temática.
Conforme a primeira-dama do município e secretária de Assistência Social de Lucas do Rio Verde, Janice Ribeiro, a cidade hoje conta com um núcleo de atendimento às mulheres vítimas de violência e os índices registrados são alarmantes. “Acredito que juntas podemos melhorar sim essa situação”, declarou.
Foi Natasha quem apresentou o projeto a Janice em uma visita à prefeitura de Lucas do Rio Verde há aproximadamente dois meses. A secretária ficou interessada pela proposta e articulou para que o Movimento Conecta estivesse em contato com os profissionais e estudantes. Além de Lucas, já receberam o projeto Barra do Garças e Sinop.
Para se ter dimensão da importância da escola na identificação da violência de gênero, uma das professoras presentes relatou que após trabalho realizado na escola Olavo Bilac, denominado projeto Vidas, foram identificados 56 estudantes que sofriam abuso sexual e psicológico. Em razão da violência, se automutilavam. Através de rodas de conversa e com atendimento psicológico, 46 casos foram denunciados, os agressores presos e as vítimas amparadas.
Fundadora da Associação de Mulheres em Busca de Cidadania, Maria Dalva, que também é professora no município desde 1992, destacou que Lucas tem demonstrado preocupação com a violência cometida contra mulheres, mas é preciso avançar. A Associação já atua há 20 anos dando suporte a mulheres vítimas de violência, oferecendo cursos de artesanato, alfabetização e atendimento psicológico. Conforme Maria Dalva, a grande luta agora é conquistar uma casa abrigo para as vítimas que precisam sair de seus lares e não tem onde ficar.
Natasha, em sua palestra, salientou que não há sociedade plena sem o respeito à diversidade. Rememorou a atuação de sua mãe, então senadora da República, Serys Slhessarenko, para evitar o esvaziamento da Lei Maria da Penha quando foi apreciada pelo Congresso Nacional. Serys na ocasião foi co-relatora da lei e mobilizou mulheres para que a legislação se mantivesse como estava proposta, indo inclusive até o Supremo Tribunal Federal.
Como médica pediatra atuante no Hospital Universitário Julio Muller, Natasha afirmou que a situação mais difícil enquanto profissional é atender crianças vítimas de abuso. “É um absurdo como abusam de crianças. É uma brutalidade, uma covardia, não existe crime pior”, avaliou.

Para Natasha, por esses e outros cenários, como o alto índice de feminicídios registrado no Brasil, é que se faz necessária a difusão de uma “cultura de igualdade” entre homens e mulheres. E para alcançar essa igualdade de gênero nada mais eficiente que a educação, que tem a capacidade de transformar. Por isso o movimento foca em levar informação para crianças e adolescentes, para que assim possam identificar os tipos de violência, denunciar quando presenciam e se tornarem multiplicadores de uma cultura de paz.
“Difundir a cultura de paz, de igualdade, de não violência é o que o Movimento Conecta propõe. E estamos aqui para dar o suporte a vocês para que isso aconteça”, salientou Natasha.