DE ESQUERDA
Na contramão dos coligados, PSOL segue sem mídia na corrida ao Executivo e Legislativo
19 de Agosto de 2016, 15h01
À margem dos partidos unidos em coligações, o Socialismo e Liberdade (PSOL) seguirá única e exclusivamente com os próprios pés na corrida eleitoral em Rondonópolis. Cumprindo determinação estadual, a sigla lança à Prefeitura e Câmara candidatos em chapa pura e tenta emplacar nomes novos na política com quase zero de espaço na mídia (apenas 20 segundos para TV) para a propaganda eleitoral. Realidade bem diferente dos blocos aliados, segue a esquerda em outro extremo.
À Câmara, o PSOL terá três candidatos a vereador nestas eleições e deverá lançar sua campanha nas ruas no início da próxima semana. Ainda nova, a sigla completa exatos dois anos de nascida em Rondonópolis e conta com cerca de 60 filiados, além de reduzido corpo executivo.
Em visita ao GazetaMT, Janaína Lima, candidata ao Legislativo, avaliou as chances do partido frente aos mais poderosos políticos, hoje montados nas respectivas coligações. "Acho que a coligação facilita para ser eleito, pois dá apoio maior, dá mais dinheiro e divulgação nos meios de comunicação. A chapa pura, porém, vem para mostrar que dá pra fazer diferente, com condições e campanha diferente. Seremos modestos, com dois carros de som na rua e um comitê para todos os candidatos. Será nesta medida que vamos trabalhar".
Lima chegou a se candidatar a deputada estadual em 2014 também pelo PSOL. Neste 2016, como estratégia, afirma buscar o que chama de "entornos"; regiões da cidade mais afastadas e de periferia. Pouco será visto o PSOL, diz ela, nas ruas do centro da cidade. "Vamos onde o PSOL consegue o apoio das minorias, onde nossa plataforma política pode trabalhar. Temos apoiadores em diversas regiões, mas nas minorias é nosso maior campo de trabalho. Minoria e periferia", diz.
Em outros Estados do Brasil, o PSOL alterou seu Estatuto e se permitiu coligar até mesmo com partidos da chamada direita. No Amazonas, a sigla segue aliada ao reconhecido conservador Democratas (DEM), num contrassenso que colhe como resultado a fragmentação ideológica do partido.
Majoritária
Como já noticiado pelo GazetaMT, na corrida à prefeitura Rubens Cantuário é o candidato do PSOL. "O que vamos fazer é puxar para o nosso lado, seguindo pela periferia", adianta antes de qualquer questionamento quanto aos obstáculos que terá na corrida eleitoral.
Reconhecidos os desafios, Cantuário afirma ser possível fazer uma campanha pareada, ainda que sem recurso, "mas isso claro exige muito
corpo a corpo. Vai ser trabalhoso, mas é como vamos trabalhar", completa. A título de números, segue na majoritária 14 partidos em apoio ao projeto de reeleição do atual prefeito Percival Muniz (PPS), 9 com o atual deputado estadual José Carlos do Pátio (SD) e 6 com o atual vice prefeito Rogério Salles (PSDB).
Se vencer os números, o próximo desafio do então prefeito seria articular uma gestão com previsível oposição massiva da Câmara. "Vai ser um choque. Capaz até de tentarem um outro impeachment (risos)".