IRADO

Convocado para ir à Câmara explicar uso indevido de verba, Ananias se enfurece e ataca Mohamed

O candidato esteve presente na sessão da Câmara nesta quarta-feira

por Denilson Paredes

19 de Setembro de 2012, 19h37

Convocado para ir à Câmara explicar uso indevido de verba, Ananias se enfurece e ataca Mohamed
Convocado para ir à Câmara explicar uso indevido de verba, Ananias se enfurece e ataca Mohamed

Ananias enfurecido com Mohamed(Foto: Marcos Magalhães)O prefeito Ananias Filho (PR) candidato à reeleição pela coligação Todos por Rondonópolis, esteve presente na Sessão da Câmara dessa quarta-feira, 19, para responder a uma solicitação do Legislativo, que cobrava explicações para o uso irregular de cerca de R$ 200.000,00 mil reais destinados para a construção de uma sede para o Procon da cidade. Visivelmente transtornado e usando de ironia, o prefeito se travestiu de candidato e atacou o vereador que cobrava explicações suas como gestor municipal, chegando até a insinuar que Mohamed teria envolvimento com o tráfico de drogas.

Filho negou que o saque da conta do Fundo do Procon tenha sido irregulares e partiu para o ataque, inicialmente insinuando que o veterano vereador atuasse como "serviçal" de alguém ou algum grupo político. "Cada um é serviçal de alguma forma...Não vamos nos curvar á prepotência e a falácia, até por que são práticas criminosas. Mas respeito a postura do Mohamed, mesmo com o olhar cínico dele no momento de algumas discussões, mas ele é defensor da saúde... Realmente paguei com o Fundo Municipal do Procon as ambulâncias, que eram necessárias para a cidade", disse.

O prefeito explicou ainda que o processo de aquisição de três ambulâncias teve início ainda durante a gestão do ex-prefeito José Carlos do Pátio (PMDB), cassado por distribuição irregular de camisetas durante a campanha eleitoral de 2008, que realizou a licitação e as encomendas das ditas ambulâncias, que ainda não tinham sido entregues justamente por falta de pagamento. "Tudo que fiz estava dentro da legalidade. Reconheço que deveria consultar o Conselho (Conselho de Defesa do Consumidor - Condecon), mas o que fiz foi para defender um direito difuso e coletivo", afirmou.

Em seguida, o prefeito voltou a atacar o vereador, a quem classificou como "invejoso". "Preciso orar para me livrar da inveja...não sei o mal que causei a Vossa Excelência, mas toda vez que tem motivo, quer crucificar o prefeito Ananias", disse, antes de ser interpelado pelo presidente da Casa, vereador Hélio Pichioni (PR), que pediu que o mesmo se ativesse a responder o questionamento que o levou ao Legislativo para dar explicações.

Apesar do pedido de Pichioni, Ananias continuou o ataque, claramente levando a questão, que é político-administrativa, para o lado pessoal. "A retirada (do dinheiro do Procon) foi para atender a população mais necessitada. O Senhor - referindo-se a Zaher - tem condições de alugar um jatinho para ir se tratar, mas a população mais carente não. O senhor é casado com uma mulher, não me precisa me atacar...estranho a forma como você trata minha pessoa, pois o recurso do fundo foi devidamente utilizado", afirmou um enfurecido prefeito, que foi novamente interpelado pelo presidente da Câmara, que exigia compostura do prefeito e o fim das críticas pessoais ao vereador.

Ananias não ouviu Pichioni e retomou ao tom crítico de antes, insinuando dessa vez que Mohamed tivesse ligação com o tráfico. "O senhor já foi acusado de ser traficante pelos meus adversários", completou.

O prefeito teve sua fala interrompida, quando o vereador José Marcio Guedes (PR), que é o coordenador da campanha de Ananias, usou a Tribuna e exigiu que o direito de fala de seu aliado fosse respeitado, ao que foi corrigido pelo presidente da Câmara, que citou o artigo 35 do Regimento Interno do Legislativo, que diz as pessoas que forem convocadas para darem explicações ao vereadores "não poderão desviar-se do motivo da convocação e não terão apartes".

Novamente, de nada adiantou o alerta e Ananias continuou seu ataque verbal contra Mohamed. "O senhor Mohamed Zaher sabe mais coisas do que eu sobre o que acontece lá na prefeitura, pois tem gente lá...mas eu lembro quanto custava o pãozinho quando o senhor foi secretário de Administração...As câmeras que estão lá eu instalei para proteger, não para coagir servidor, pois estou em campanha eleitoral e tenho que me proteger", disse ele, referindo-se ás câmeras de monitoramento que instalou em diversos departamentos, supostamente para evitar que documentos fossem furtados da prefeitura.

Na sequência, afirmou ter sido responsável pela chegada de Mohamed á presidência da Câmara, pois, ainda segundo o prefeito, o vereador não teria articulação política para tanto e foi novamente advertido pela Mesa Diretora da Câmara de que estaria se excedendo, mas não se intimidou. "O senhor foi muito inteligente em usar os meus serviços, mas não entendo essa inveja que lhe corrói por dentro", continuou.

Outro lado - Em sua fala, Mohamed se manifestou de forma contida, mas não escondeu a decepção com os ataques de seu ex-companheiro de Legislativo. "Eu fui procurado pelo vereador Fulô, que aqui está de prova, que pediu que eu lhe desse meia-bolsa de estudo para que o Ananias pudesse estudar e eu fiz mais: lhe ofereci um emprego como meu assessor para que ele pudesse estudar sossegado. Eu sempre te tratei como um filho, Ananias, por que tenho idade para ser seu pai e não tenho inveja nenhuma de você", disse o vereador, agradecendo ainda ao prefeito e ao ex-prefeito pela aquisição das ambulâncias, que foram adquiridas por conta de uma emenda sua ao Orçamento Municipal em conjunto com o vereador Reginaldo Santos (PPS).

Zaher ainda finalizou afirmando nunca ter atacado a pessoa do prefeito e disse que o mesmo atacou uma "mão amiga". "Eu sou co-responsável pela sua formação e achei injusto o que ele fez, pois estou em tratamento de saúde, eu jamais faria isso se fosse com ele, foi covardia. Se ele não quiser ser prejudicado politicamente, ele que faça tudo certo que ninguém vai falar nada dele, a não ser elogios", disse, sorridente.