"sumiço"

Irregularidades da obra da travessia urbana é lembrada em debate na Record

"O dinheiro sumiu, a obra não foi concluída e está enfeiando a entrada da cidade", afirmou Muniz

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02 de Outubro de 2012, 18h58

Irregularidades da obra da travessia urbana é lembrada em debate na Record
Irregularidades da obra da travessia urbana é lembrada em debate na Record

As já famosas obras inacabadas financiadas com recursos federais fizeram parte do enredo do segundo debate promovido pela TV Cidade Record. O assunto veio á tona quando o candidato Percival Muniz, da coligação A Força da Gente, questionou o petista Juca Lemos sobre o que ele, como represetante do partido da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, achava sobre a demora na conclusão de obras como a da travessia urbana das BRs 163/364, que tem 90% do seu custo bancado com dinheiro federal.

"O dinheiro sumiu, a obra não foi concluída e está enfeiando a entrada da cidade", afirmou Muniz.

O candidato Juca Lemos não escondeu seu descontentamento com o caso e prometeu que, caso ganhe a eleição, irá ser rigoroso na aplicação dos recursos. "Eu fico envergonhado com os esquemas que somem com o dinheiro federal", afirmou o petista.

Em sua réplica, Percival disse estranhar o fato das obras iniciadas não terem prosseguimento. "Saindo daqui para o Mato Grosso do Sul as obras começam e terminam, para o Norte do Estado também. Mas aqui as obras começam e não terminam. Mas a travessia urbana é administrada pela prefeitura. Onde foi para o dinheiro?", questionou Muniz.

A obra de pouco mais de 13 quilômetros da duplicação da travessia urbana das BRs 163/364 teve início em 2009 com o custo de mais de R$ 54 milhões, dos quais mais da metade já foram pagos para a construtora Objetiva, que no entanto, está em processo de recuperação judicial e individada na praça.

Sem crédito e sem condições de concluir a obra, a Objetiva teria "sublocado" 30% do total da obra para a Equipav, o que seria permitido por lei, mas os termos de toda essa manobra não ficaram claros apra a população.

O indício de irregularidades e de "sumiço" de dinheiro público são tão fortes e contundentes, que motivou ao promotor Vagner Camilo, do Ministério Público Estadual (MPE) a entrar com uma representação junto ao Ministério Público Federal (MPF), já que a obra é quase toda custeada com recursos federais, pedindo a investigação do caso.

De sua parte, o MPF requereu á prefeitura de Rondonópolis e ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) informações e documentos sobre repasses feitos pelo governo federal, pagamentos e prestações de contas referentes á obra, além de cópias dos laudos de vistoria da mesma realizadas por empresa contratada pela prefeitura para esse fim, do convênio e do contrato celebrado com a Objetiva e outras informações pertinentes ao caso.

A prefeitura e o DNIT responderam ao requerimento do MPF, que no entanto, ainda não terminou a análise dos documentos apresentados. A assessorira de comunicação do MPF alega que tem um prazo que vai até novembro para concuir a análise dos documentos apresentados.

Apesar da demora na análise, corre-se o risco de o tempo disponível não ser suficiente, o que levaria o MPF a cnverter a representação em inquérito civil público, o que ampliaria ainda mais o prazo.

Pelo visto, quem tiver interesse em ver esclarecidas as irregularidades na obra da travessia urbana de Rondonópolis, terá que aguardar o tempo do MPF ou se conformar com mais esse flagrante caso de mau uso e desvio de recurso público.