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A polarização atual, com dois times no campo, nos faz ingênuos como nunca

por GazetaMT

02 de Outubro de 2018, 15h28

A polarização atual, com dois times no campo, nos faz ingênuos como nunca
A polarização atual, com dois times no campo, nos faz ingênuos como nunca

Estamos a poucos dias de uma decisão importante para o Brasil. Em anos, talvez seja esta a mais importante de todas. A eleição presidencial e a escolha dos nossos demais governantes em 2018 não são iguais aos processos eleitorais anteriores. Dois são os motivos e os perigos reais: os candidatos e a idolatria popular.

Nesta semana de exercício democrático nas urnas, necessitamos, sim, sem rodeios, de uma profunda reflexão acerca deste dois pontos destacados acima. Ambos tem nos levado pelo caminho inverso da real mudança que queremos para o país. Estamos caminhando para o extremismo, para a conversa fácil, para as promessas que- mais uma vez- não serão cumpridas. Traídos de um lado, à beira do abismo da ditatura de outro. Paremos, portanto, com esta polarização.  

Nosso povo acompanha a política atual como quem deleita-se com uma partida de futebol. Mais politizados, sim, mas tão somente até a página 2. Esta superficialidade, há quem se aproveite dela e a converta em votos nas urnas.

Sim, me refiro ao candidato líder nas pesquisas, Jair Bolsonaro -PSL. Mais de vinte anos como deputado, surgiu em 2011 como um falastrão típico procurado por jornalistas famintos pela audiência da TV. No início, suas frases de efeito o colocaram em polêmica com artistas e renderam um já esperado burburinho na mídia. Anos depois, porém, com discurso mais acentuado, suas palavras alcançaram e alcançam maior projeção. Hoje afloram o ódio e a intolerância, flertam com o militarismo que enaltece 1964 e a memória de seus inescrupulosos atores.  

Dito isso, nas ruas tais palavras encontram apoio numa parcela significativa da população cujo país é ainda um recém-nascido em termos de democracia. Não sabemos ainda o que é viver com a plena liberdade de nossos direitos. O pior é ver, ainda assim, quem apoie a perda destes. Tão imperdoável o quanto, o discurso distorcido que exalta os vilões.

Há de se levar em conta que boa parte do eleitorado bolsonarista não compactua com os pensamentos do capitão da reserva. Não propaga homofobia, racismo ou machismo, por exemplo. O que as motiva é o sentimento de renovação. É limpar, de uma vez por todas, "tudo o que está aí".  É compreensível, mas também perigoso.

Bolsonaro não está imune às acusações de corrupção. E não, não são fakenews. Dos aliados que escolhera como seus na Câmara dos Deputados aos casos de propina da JBS e ocultação de patrimônio. Imagem ilibada, digamos, não acompanha o histórico do candidato. Igual, seu já anunciado ministro da economia, Paulo Guedes, o "posto Ipiranga", é um dos fundadores do Banco Pactual. Uma sugestão: digite no guia de busca de seu navegador (Google ou similar) os dizeres "BTG corrupção". Pronto, boa leitura!

Hora de falarmos de propostas. O candidato do PSL assume publicamente desconhecer das áreas mais estratégicas de um governo. Reconhece não possuir políticas públicas fundamentais. Sua única bandeira é a de armar a população. Liberar armas de fogo no país que mais mata e mais morre não é solução, é suicídio. Pior, garantia de assassinatos contra um perfil de vítimas já conhecido pelos cantos do Brasil.

No mais, Saúde, Educação, Economia, Infraestrutura serão, ele mesmo já disse, delegados a terceiros. Afinal, pra quem irá o voto? Quem dará as ordens? Certo que cada presidente possui sua equipe, mas não fazer ideia do que se decide embaixo do próprio nariz é algo assustador e escandaloso.

Estamos cansados de corrupção. Sim, estamos. Decepcionados com sistematização da criminalidade governamental instituída pelo PT. Idem. Queremos, todos, uma nova política. Precisamos de um novo Brasil. Mas o caminho até lá tem nos confundido. Dos dois lados o segundo ponto mencionado no início deste texto, a idolatria, tem nos tornado um povo cego.  Não morramos de amores nem por um, nem por outro.

No campo oposto à direita, a bandeira petista. Lula segue preso em Curitiba, e extraoficialmente determina as diretrizes de seu porta-voz e candidato Fernando Haddad. Caso eleita a sigla, teremos o primeiro presidiário a presidir, de dentro da cela, um país. Lula, Dilma, Temer, levaram 14 anos para afundar o Brasil. Talvez Haddad, sob a batuta, consiga fazê-lo em menos tempo.

Não nos iludamos, porém, caro leitor, pois Bolsonaro nasce do mesmo berço de Lula. Explico: ambos despontam nas pesquisas, em momentos diferentes, enraizados no mesmo vislumbre popular de mudança que nos cercava outrora.  Vide. Nos dias atuais, no entanto, se assim como o do petista o discurso do capitão de "acabar com tudo o que e está aí" também não se sustentar na prática , encararemos algo muito pior: o fim da democracia. Isso não pode acontecer. Não de novo. Não assim.

O desastre causado pela corrupção do PT nos deixou uma lição. A de que salvadores da pátria não passam de uma grande mentira. Em 2018, a polarização atual, com dois times no campo, nos faz ingênuos como nunca.