INVESTIGAÇÃO

Homem que esfaqueou Jair Bolsonaro recusa oferta da Polícia Federal para fazer delação premiada

por G1

02 de Novembro de 2019, 08h23

Homem que esfaqueou Jair Bolsonaro recusa oferta da Polícia Federal para fazer delação premiada
Homem que esfaqueou Jair Bolsonaro recusa oferta da Polícia Federal para fazer delação premiada

Adélio Bispo, que esfaqueou o então candidato à presidência Jair Bolsonaro, recusou uma oferta da Polícia Federal para fazer uma delação premiada. Ele foi diagnosticado com uma doença mental e, por isso, é considerado inimputável pela Justiça. O Palácio do Planalto não quis se manifestar sobre o assunto.

Adélio foi ouvido nesta quinta-feira (31), no presídio federal de Campo Grande pelo delegado da Polícia Federal em Minas Gerais, Rodrigo Morais. Ele é o responsável pelo inquérito que apura a existência de comparsas ou mandantes do ataque a Bolsonaro.

Adélio Bispo repetiu que agiu sozinho, negou que o atentado tenha sido encomendado e não quis fechar um acordo de delação premiada por considerar que não tem nada a acrescentar às investigações.

O processo principal foi concluído em julho. Adélio é comprovadamente o autor da facada, mas como foi diagnosticado com transtorno delirante persistente não pode ser responsabilizado penalmente.

A Justiça determinou, então, que ele cumpra medida de segurança por tempo indeterminado. Atualmente ele recebe tratamento psiquiátrico no presídio em Campo Grande, para onde foi levado logo após o crime, em setembro do ano passado.

O advogado Zanone Júnior passou a ser o responsável por Adélio Bispo perante à Justiça. É o curador.

Adélio Bispo já pediu à Justiça uma transferência para um presídio estadual que fique mais perto da família em Montes Claros, Minas Gerais. O advogado Zanone Júnior é contra. Disse que teme pela vida do cliente. Ele também afirmou que vai deixar o caso e dar lugar a um defensor público.

Logo depois da tentativa de homicídio de Jair Bolsonaro, Zanone Júnior se apresentou espontaneamente para defender o agressor, o que provocou questionamento sobre quem teria pagado os honorários.

Zanone afirma que recebeu dinheiro vivo de um homem, frequentador da mesma igreja de Adélio, em Montes Claros, mas nunca o identificou.

O presidente Jair Bolsonaro chegou a entrar em choque com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), quando pediu a quebra do sigilo telefônico da defesa de Adélio, com o objetivo de descobrir um suposto mandante do crime.

Até hoje as investigações não indicaram a participação de terceiros.