Acareação
CPMI ouve versões diferentes dos ex-diretores da Petrobrás acusados de corrupção
Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa foram ouvidos nesta segunda (02); Costa confirmou envolvimento de políticos e corrupção em outras áreas
02 de Dezembro de 2014, 21h55
Dois ex-diretores da Petrobras foram colocados frente a frente nesta segunda-feira (02) e apresentaram versões diferentes aos deputados e senadores que integram a CPI Mista da Petrobras. Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa são apontados como peças-chave no esquema de corrupção que pode ter desviado mais de R$ 10 bilhões da estatal. Paulo Roberto confirmou tudo o que contou nos depoimentos prestados à Justiça, ao Ministério Público e à Polícia Federal, acrescentando que apresentou as provas do que disse. Cerveró negou sequer ter conhecimento das denúncias de propinas.
Paulo Roberto Costa, que já firmou um acordo de delação premiada, disse ainda que também orientou as autoridades sobre onde encontrar mais provas das denúncias formuladas em depoimentos anteriores. Ele também admitiu que citou nomes de "algumas dezenas de políticos" envolvidos no esquema.
"Provas estão existindo, estão sendo colocadas. Falei de fatos, falei de dados, falei de pessoas. Na época oportuna, essas pessoas todas virão a conhecimento público. Não é neste momento. Um dia virão. Eu não sei quando, não está na minha mão isso, mas tudo o que eu falei eu confirmo", afirmou.
Paulo Roberto Costa disse que casos de corrupção como os registrados na estatal de petróleo, e sob investigação na CPI Mista da Petrobras, se repetem em outras áreas do setor público - incluindo portos, aeroportos, hidrelétricas e outras obras de infraestrutura. Segundo ele, se houver uma investigação, tudo será descoberto.
Ele admitiu ainda à CPI que assumiu a Diretoria de Abastecimento por indicação política, enfatizando que essa é uma prática seguida na Petrobras desde o governo Sarney, passando pelas gestões Collor, Itamar, Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma.
"Infelizmente aceitei uma indicação política para assumir a Diretoria de Abastecimento. Estou profundamente arrependido de ter feito isso. Resolvi fazer a delação de tudo o que acontecia na Petrobras, e não só na Petrobras. O que acontecia na Petrobras acontece no Brasil inteiro. Nas rodovias, nas ferrovias, nos portos, aeroportos, nas hidrelétricas. Isso acontece no Brasil inteiro. É só pesquisar, porque acontece", declarou.
O e-mail para Dilma
Paulo Roberto se recusou, porém, a repetir na CPI o que revelou no processo de delação premiada, cujo teor ele é legalmente obrigado a manter sob confidencialidade. O ex-diretor também deu a versão dele para o e-mail que mandou à então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em setembro de 2009. Disse que, ao contrário do publicado pela revista Veja, não houve quebra de hierarquia, uma vez que o então presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, sabia que a mensagem seria enviada. Acrescentou que a determinação de enviar o e-mal partiu da própria própria Casa Civil.
Na mensagem, Costa alerta Dilma Rousseff que o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendara ao Congresso Nacional a interrupção de três obras da estatal por ter encontrado irregularidades. O ex-diretor não foi claro ao explicar o que o levou a mandar a mensagem.
"Eu externei uma preocupação minha muito grande de um processo que não estava me deixando nada satisfeito. Estava me deixando enojado. Mostrando que algumas coisas não estavam bem dentro da companhia".
O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) avaliou que o depoimento de Paulo Roberto foi elucidativo à comissão de inquérito por dois motivos. O primeiro foi ter ele confirmado o que contou no processo de delação premiada. O outro foi a denúncia de existência de corrupção em outros setores da administração pública.
"O segundo ponto importantíssimo da fala dele foi quando ele confirmou que esse esquema de corrupção existe no transporte, na Eletrobras e em todos os meios", afirmou Carlos Sampaio.
Cerveró
O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró repetiu que a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, foi um bom negócio para a empresa. Reafirmou também desconhecer a existência de "esquema de propina" na Petrobras.
"A avaliação que foi feita pelos auditores do TCU contém alguns equívocos que levaram a essa divulgação fartamente explorada pela mídia de um prejuízo que inexiste. Inexiste esse prejuízo", garantiu.
(Com informações da Agência Senado)