Efeitos da crise?
TSE diz que por conta de cortes no orçamento, voto de papel volta em 2016
02 de Dezembro de 2015, 10h22
Questionado por alguns insatisfeitos e desconfiados, a urna eletrônica deve ser abolida das eleições municipais de 2016 e substituídas pelas cédulas de papel, muito mais factíveis de serem fraudadas e cujo modelo foi abolido por ser lento. O argumento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável pela realização das eleições no país, é o contingenciamento de recursos, ou seja, falta de dinheiro.
Ao todo, o Judiciário terá que economizar cerca de R$ 1,7 bilhão em 2016, sendo que somente o TSE terá que economizar perto de meio bilhão de reais. Como já era de se esperar, em épocas de crise e falta de dinheiro, é preciso fazer cortes e replanejamentos, como forma de se adaptar à nova realidade, mas como também já era de se esperar, quem deve novamente pagar o pato é o cidadão, que verá de volta as velhas filas nos locais de votação e terá que aguardar por dias até que os votos sejam todos contados manualmente e seja anunciado o resultado das eleições.
Na era da certificação digital, quando os eleitores aguardam ansiosos para poderem votar por meio da internet no conforto de seus lares, ou a substituição as atuais urnas eletrônicas por outras mais modernas e seguras, o TSE vai na contramão e anuncia o retrocesso, voltando a roda da história para trás, para quando as pessoas votavam por meio de uma cédula, que podia ser trocada, invalidada ou contada para um candidato diferente daquele que o eleitor escolheu, entre outras formas de fraudar o voto do cidadão.
Os eleitores mais antigos e atentos à nossa história política devem se lembrar o período em que se votava na forma de cédulas e várias urnas foram encontradas no fundo de um rio da cidade alguns dias após a eleição, com a maioria dos votos para o candidato que perdeu aquela eleição por uma pequena margem de votos.
O Buxixo, como não poderia deixar de ser, entende a necessidade de o Judiciário, e especificamente o TSE, cortar gastos, mas de cara já se propor a volta da votação manual antes de pensar em cortar parte dos altíssimos salários e mordomias recebidas pelos membros das Cortes brasileiras é no mínimo um desatino.
De qualquer forma, ainda que a medida agrade alguns saudosistas e desconfiados, é um retrocesso...