educação
Cristovam Buarque defende federalização da educação básica como condição ao desenvolvimento do País
Para ele, a única forma de atrair bons professores para as salas de aula seria o pagamento de bons salários
02 de Março de 2013, 19h31
O senador Cristovam Buarque (PDT) palestrou durante a manhã desse sábado, 2, na escola Sagrado Coração de Jesus, no centro da cidade, e defendeu a federalização da educação básica como condição primordial para o desenvolvimento do País. Para ele, a única forma de atrair bons professores para as salas de aula seria o pagamento de bons salários, o que seria impossível aos municípios, por falta de recursos orçamentários.
Cristovam Buarque veio à cidade á convite do prefeito Percival Muniz (PPS) e, inicialmente, sua palestra estava programada para marcar o início do ano letivo no Município.
O senador iniciou sua palestra afirmando que tinha curiosidade em conhecer Rondonópolis e elogiou a postura do também senador e colega de partido, Pedro Taques, ao lançar recentemente seu nome para concorrer à presidência do senado. "A candidatura do colega Pedro Taques foi importante para manter a dignidade do Senado", pincelou o ex-ministro da Educação.
Em seguida, ele explicou para uma plateia atenta os motivos que o fazem defender a federalização do ensino básico. "Nós temos que fazer uma revolução que faça a escola ser muito boa para todos, onde o filho do mais rico estude nas mesmas condições dos filhos dos mais ricos", defendeu.
Para ele, em 50 anos, o atual modelo econômico no País, e principalmente em Mato Grosso, não vai garantir emprego para todos e defende que o Estado invista na atração de indústrias de alta tecnologia. "As outras economias vão estagnar, afinal, não dá para plantar soja em dois andares. Não há futuro para nossos filhos se não investirmos em tecnologia do conhecimento. É só observarmos: todos os países que hoje desenvolvem tecnologia de ponta há trinta anos investiram maçiçamente em educação. Não existe futuro sem alta tecnologia, mas temos que investir para termos uma boa educação de base", apontou o senador.
Buarque traçou um paralelo entre a importância dada aos jogos da Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, e a importância dada pelos governos e pelo povo brasileiro à educação. "Se o Brasil ficar em 5º lugar na Copa, o povo endoida. Se for vice, vai ser o caos. Mas a Copa, em quatro anos tem outra. Já a oportunidade de educar nossas crianças não. Mas todas as prefeituras gastam mais de 90% do seu orçamento apenas com salários dos funcionários públicos e nenhum município é capaz de atrair os melhores quadros para a educação. E a primeira condição para ter uma boa escola é ter professores bem preparados. E isso só é possível se ele for bem remunerado", emendou.
Para Cristovam Buarque, o salário que deveria ser pago aos professores, ainda no nível básico, deveria ser de cerca de R$ 9 mil ao mês. "Isso é apenas metade do salário de um delegado federal, mas nenhum município tem condições de pagar isso. E o que fazemos se tivermos que pagar um salário que o patrão não dá conta? Nós mudamos de patrão", defendeu, emendando que só a União poderia pagar esse salário. "Não falo isso em benefício do professor, mas da criança", defendeu Buarque.
"O professor tem que ser um profissional muito bem preparado e a estabilidade não pode ser dada para aqueles que não trabalham, que não dão resultados, pois a escola não é só o professor, mas é sobretudo o professor", emendou.
Na sequência, ele disse que falta melhor estrutura para a prática educacional nas escolas públicas e defendeu o uso das novas tecnologias nas salas de aula e a educação em tempo integral. "Usar o giz ainda nos dias atuais é uma maldade, um sadismo, enquanto as pessoas já estão assistindo televisão em três dimensões em casa. Também defendo a escola em tempo integral por que não é possível dar uma boa educação para uma criança em apenas quatro horas", pontuou.
O senador ainda argumentou que o seu projeto de federalização da educação básica deve consumir apenas 6,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, enquanto o novo Plano Nacional de Educação (PNE), em vias de ser aprovado pelo Congresso Nacional, prevê um investimento de 10% do PIB na educação. "Com as escolas federalizadas, a prefeitura passará a fazer parte do conselho da escola e interfere na elaboração do currículo escolar, mas fica livre para implementar outras políticas públicas", vaticinou.
O senador encerrou sua breve, porém esclarecedora palestra, afirmando que fez da defesa da federalização da educação de base a sua missão de vida e convidou a todos os presentes a adotarem a ideia. "Chega um momento em que a gente sente que tem que realizar uma missão na vida, e essa é a minha missão. Eu proponho a todos vocês que saiam daqui falando disso, defendendo essa ideia", finalizou.