QUEM SOBRA?
Entres os “grandes” presidenciáveis de 2014, só três escaparam de delação de Marcelo Odebrecht
02 de Março de 2017, 09h20
Se havia alguma dúvida quanto a equidade política e operacional dos principais candidatos à presidência da República em 2014, a esta altura já não mais existe. Entre os "grandes" era (e ainda é) tanta semelhança, que até a fonte de esquema era a mesma. Em depoimento à Justiça Eleitoral o ex-diretor da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, confirmou repasse de dinheiro, via caixa 1 e 2, às campanhas eleitorais de Dilma Rousseff -PT, Aécio Neves-PSDB, e Marina Silva - à época PSB e Eduardo Campos - PSB (candidato morto em acidente aéreo).
Se apresentavam adversários, opções diferentes com opostos planos de governo para conduzir o país... Teatro. Desde o início, a articulação que envolvia cada um dos partidos e seus respectivos candidatos partia da principal financiadora dos projetos, também por meio de propina, em troca de medidas provisórias e acordos firmados na mais absoluta obscuridade.
Ocorre que após o resultado das eleições, o grupo derrotado começou a deixar pistas e a jogar politicamente pelos corredores. Talvez não fosse tão diferente caso Aécio Neves, por exemplo, tivesse vencido. Teria, claro, apoio da grande mídia e de pelegos deputados federais e senadores, além da paixão adolescente do juiz Sergio Moro -desde sempre e para sempre entranhado com o PSDB-, o que evitaria um processo de impeachment. O bate-cabeça dentro das Casas, entretanto, seria igual.
O mesmo poderia se dizer de Marina, mas esta certamente cairia. Mais fácil que a articulação que derrubou Dilma. Candidata tampão após o acidente aéreo que matou o então candidato Eduardo Campos, também delatado por Marcelo Odebrecht.
Luciana Genro -Psol, Eduardo Jorge -PV e Levy Fidélix -PRTB escaparam da delação de Odebrecht ao Supremo Tribunal Federal. Demais candidatos podem, neste momento, ser desconsiderados. Os que mais figuraram nos debates eleitorais foram estes.
No Psol, Genro concordou com a proibição do partido, via Estatuto, de receber qualquer doação que não seja de estrita militância,ainda que nos dias de hoje a história não seja bem assim (candidatos do Psol Brasil afora receberam, sim, doações). No PV, Jorge sempre teve outros interesses, mais idealistas que políticos. Fidélix dispensa comentário, pois Buxixo jamais o engoliu.
De volta aos líderes nas intenções de voto, a pergunta é: quem sobra? Um balaio que não nos permite escolher entre sujos e mal lavados. Para 2018, é certo, haverá nomes repetidos. Práticas criminosas, também.