PREJUIZO OU ROMBO?

Vereador quer abertura das contas da Coder, após empresa declarar R$ 3 mi de prejuizo

Além do prejuizo de aproximadamente R$ 3 milhões, outros números chamam a atenção

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02 de Abril de 2012, 10h32

Vereador quer abertura das contas da Coder, após empresa declarar R$ 3 mi de prejuizo
Vereador quer abertura das contas da Coder, após empresa declarar R$ 3 mi de prejuizo

Situação atual da maior parte das ruas de Rondonópolis (Foto: Marcos Magalhães)O vereador Milton Mutum (PSD) irá solicitar da direção da Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder) a abertura total das contas do exercício 2011, após considerar suspeitos alguns números apresentados na prestação de contas publicados em edital no Jornal A Tribuna no último sábado 24 de março. Conforme os números publicados, a Coder teve um prejuízo de R$ 2.969.162,03 de janeiro a 31 de dezembro de 2011, com uma receita de mais de R$ 20 milhões. Em 2010, a companhia teve um saldo positivo de R$ 535.227,18.

Além do prejuizo de aproximadamente R$ 3 milhões, outros números chamam a atenção como os valores recebidos pela Coder para a realização de tapa buracos, que ultrapassam R$ 6 milhões, o recebimento de R$ 5 milhões para limpeza e 'coleta de lixo' e R$ 660 mil para manutenção de canteiros na cidade.

"Como é que a Coder recebeu R$ 5 milhões para coleta de lixo, que é responsabilidade do Serviço de Saneamento Ambientam de Rondonópolis (Sanear)", questiona o vereador, que esteve na diretoria da Coder por quatro anos, de 2005 a 2008.

Situação do trevo de entrada da cidade (Foto: Marcos Magalhães)Quanto às despesas, o edital informa que a Coder gastou quase R$ 7 milhões com limpeza pública, sem mais especificações; outros aproximadamente R$ 7 milhões com pavimentação, também sem especificar se os gastos incluiam serviços de tapa buracos, lama asfáltica ou pavimentação asfáltica.

O orgão que é uma empresa público-privada, com 51% das ações pertencentes à Prefeitura de Rondonópolis, também declarou um gasto de mais de R$ 3 milhões com despesas administrativas. "Os gastos de despesa administrativa são extremamente elevados", destaca Milton Mutum.

RECLAMAÇÕES CONSTANTES

Mesmo com os elevados gastos declarados, que ultrapassaram em R$ 3 milhões a receita de R$ 20 milhões, a quantidade imensa de buracos nas ruas de Rondonópolis, a falta de limpeza na área urbana, especialmente, nos bairros mais distantes do centro, e os matagais encontrados em canterios municipais, se tornaram reclamações constantes de vereadores e da população.

Canteiro no cartão postal de entrada de Rondonópolis (Foto: Marcos Magalhães)"Analisando toda essa situação, posso garantir que, pelo menos, houve má gestão na Coder e que pretendo ir a fundo no assunto para saber o que realmente ocorreu. Além disso, não creio que as contas do exercício de 2011 sejam aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE)", ressalta o vereador.

APROVAÇÕES DE CONTAS

Conforme dados levantados junto ao TCE, a Coder teve as contas anuais aprovadas desde 2005 até 2010. De 2005 a 2008 sob o comando do atual vereador Milton Mutun, e as de 2009 e 2010, sob a direção de Darci Lovato.

HISTÓRICO

Criada em 1977 a Coder já acumula uma dívida de mais de R$ 17 milhões e tem um patrimônio ativo declarado de pouco mais de R$ 18 milhões, e circulante de R$ 14 milhões. Conforme Mutum, estas dívidas vieram sendo acumuladas ao longo dos anos. "Somente no período que fui diretor da Coder tive que renegociar mais de quatro vezes os pagamentos de dívidas, que vinham, por quatro anos sendo pagas em dia. Com a nova gestão, houve atrasos nos pagamentos o que levou há uma nova renegociação, que inclusive foi aprovada pela Câmara Municipal no final de 2011", explica.

O OUTRO LADO

Procurado pela redação do site GazetaMT na última sexta-feira (30), o diretor da Coder, Darci Lovato, se recusou a falar sobre o assunto.