MARIA DA PENHA

Anuário aponta 10 bairros com mais ocorrências registradas de violência contra a mulher

No ano de 2018, Cuiabá registrou 3.054 casos de violência doméstica com vítimas do sexo feminino.

por Cuiabá, MT - Daffiny Delgado

02 de Abril de 2019, 11h21

Anuário aponta 10 bairros com mais ocorrências registradas de violência contra a mulher
Anuário aponta 10 bairros com mais ocorrências registradas de violência contra a mulher

O 2º Anuário Estatístico da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher da Capital apresentou na tarde de segunda-feira (01), dados que apontam os dez bairros com maior número de ocorrências registradas, de violência contra a mulher, em 2018.

O Pedra 90 lidera o ranking, com 85 casos registrados. Na sequência temos o CPA 3, com 71 casos, seguidos por Dom Aquino com 69, Doutor Fábio Leite 66, Tijucal 59, Porto 45, CPA 4 com 45, Centro Norte com 45, Santa Izabel 44 e Osmar Cabral 42.

Importante salientar que nesses dez bairros concentram 20% do total de ocorrências atendidas pela DEDM.

A delegada titular da unidade especializada, Jozirlethe Aparecida Magalhães Criveletto, explicou que as ocorrências de violência contra mulher não são restritas aos bairros da periféricos.

“Costumamos dizer que a violência contra a mulher encontra-se pulverizada na Capital, em seus em 229 bairros, não só em bairros periféricos. Porque temos bairros como o Jardim Itália [de classe média alta], onde existem ocorrências", esclareceu delegada.

Segundo o anuário, 3.054 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência no ano passado. O número é 19% maior na comparação ao ano de 2017.

É importante explicar, que embora o atendimento da delegacia se concentre em maior número de casos na área de violência doméstica, também é realizado o atendimento de vítima de violência de gênero.

Perfil das vítimas

O anuário apresentado mostrou um perfil das vítimas de violência doméstica. Foi apontado que 40% dos casos atendidos pela DEDM, correspondente a 1.214, são de mulheres que se declaram solteiras.

Foram também apontadas 565 casadas, 491 conviventes, 380 não informaram nada, 237 disseram serem divorciadas, 93 viúvas e 72 separadas.

“Geralmente são mulheres acima de 25 anos, de 35 a 45 anos, especificamente. Elas se declaram solteiras e isso não significa que não estiveram em uma relação afetiva, se declaram solteiras porque normalmente quando elas entram na Delegacia da Mulher para pedir uma medida protetiva já romperam esse relacionamento. Chamamos atenção que são mulheres que rompem o relacionamento no momento que se dirigem a uma Delegacia da Mulher”, disse a delegada.

Os dados apontaram ainda que, a maioria das vítimas atendidas, possuem escolaridade mínima de ensino médio completo, que corresponde a 1027 dos casos atendidos.

Os números demonstram, que apesar de terem o nível médio de escolaridade, a maioria das mulheres que buscam atendimento, ainda não de­finiram uma profissão e se encontram ainda em condição de vulnerabilidade ­financeira. Além, dessas situações, aproximadamente 8% das vítimas se declararam desempregadas.

"A maioria dos casos atendidos são de mulheres que se declaram desempregadas. Por isso a necessidade de termos políticas públicas para esta área. Vemos que essa questão da vulnerabilidade contribui e muito para a violência contra a mulher. Por uma questão de dependência financeira, temos casos de mulheres que acabam retornando para o ciclo de violência. Uma mulher hoje que sofre violência doméstica, e ela não tem aonde deixas os filhos, para que possa ir para o mercado de trabalho, o que ela pode fazer, a não ser retornar ao ambiente hostil”, complementou delegada.

Dias mais violentos

A maioria dos casos registrados, apresentados no anuário, mostra que o mês de agosto obteve o maior registro de ocorrências, em 2018, sendo 288 atendimentos.

“No mês de agosto temos o aniversário da Lei Maria da Penha. Então trabalhamos com muitas ações nos bairros de Cuiabá. Também é o mês em que mais fizemos pronto-atendimentos e procedimentos”, avaliou.

Os dados ainda mostraram os dias da semana com maiores índices de ocorrência. Terça-feira foi o dia com maior quantidade de registros, tendo sido atendidas 448 mulheres vítimas de agressão. Em seguida, aparece o domingo: 405 ocorrências.

Perfil dos Agressores

Em 80% dos casos, os agressores de mulheres são homens na faixa de 30 a 59 anos, sendo 15,33% (452) com idade de 30 a 34 anos; 25,54% (753) de 35 a 45 anos, e 13,81% (407) com idade de 46 a 59 anos. São em sua maioria, homens solteiros, 28,57 (842) casos, seguidos de casados 16,19% (477); conviventes 14,76% (435), divorciados 3,56% (105). Mas um percentual de 34,48% (1016) não declarou nada. 

Com relação à escolaridade, o ensino médio completo prevalece em 16,7% dos casos.

Quanto à profissão do suspeito, 38% dos casos não foram declarados, tendo em vista que, em muitos casos, a vítima não detém a informação acerca da vida profissional do agressor, mesmo nos casos das relações domésticas.

Os dados são com base em declarações das vítimas. (Com assesoria)