VARIEDADE E PREÇO BOM

Comércio de importados sente queda nas vendas, mas segue driblando a crise em Rondonópolis

por Robson Morais

02 de Maio de 2016, 07h00

Comércio de importados sente queda nas vendas, mas segue driblando a crise em Rondonópolis
Comércio de importados sente queda nas vendas, mas segue driblando a crise em Rondonópolis

Bom atendimento na hora de negociar, opção de preço que cabe no bolso e variedade no estoque tem sido a receita adotada pelos lojistas do comércio de importados de Rondonópolis para driblar a crise na economia acarretada, principalmente, pela instabilidade política do país. Se os negócios não vão bem é neste mix de elementos -com direito a uma pitada criatividade- que está, segundo afirmam, o diferencial.

A reportagem do GazetaMT percorreu os corredores do Shopping Popular. No espaço tomado pelos produtos devidamente organizados nas portas de cada loja viu-se de tudo: mochilas, brinquedos, eletroeletrônicos, e por aí vai... Para todos os gostos, estilos e disponibilidade de orçamento um produto que atenda à necessidade. Um convite à oportunidade.

"Tá bom"

Há quase um ano como vendedora no shopping popular, Andréia Santiago conhece bem o segredo para manter o cliente de olho na loja eHá quase um ano como vendedora no shopping popular, Andréia Santiago diz ter a receita para o sucesso nas vendas Foto - Luan Dourado / GazetaMT superar a queda nas vendas que acometeu o comércio rondonopolitano ainda no último Natal. "A gente precisa saber trabalhar nosso cliente e oferecer aquilo que ele precisa. Não importa o lugar onde o vendedor esteja atuando, desde que saiba ser criativo. Quando alguém vem até a loja quer encontrar variedade, qualidade e, claro, preço justo", diz, enquanto é clicada pelo repórter fotográfico Luan Dourado em meio às armações de óculos de sol de grau. "Essas tem saído muito", comenta a moça.

Além das armações com preços que variam entre R$75 a R$ 120, na loja da entrevistada dá para comprar artigos de maquiagem (entre R$35 e R$ 420 sendo este o mais completo), decoração e até acessórios para o dia a dia da casa. "De porta-retratos até mala de viagem", como lembra a vendedora.  

Pluralidade na vitrine que garante a receita no final do mês. "Sentimos uma queda no nosso movimento principalmente em março, isso não tem como negar. Mas o mais importante é entender que crise sempre existiu e sempre vai existir. O segredo é trabalhar com variedade", diz Andréia.

"Tá ruim"

Proprietário de loja, Rogério Martinelli diz que alta do dólar e inflação são "vilões" na hora de fechar o negócio Foto - Luan Dourado/GazetaMTRogério Martinelli atua desde o início como proprietário de uma das lojas do shopping popular. Com as contas para pagar, o comerciante e vice presidente da Associação do Comércio de Importados e Nacionais de Rondonópolis se queixa que, mesmo neste momento de crise, a situação poderia estar melhor. "Nos últimos dois anos a situação ficou mais difícil", opina. Com um gasto mensal em torno de R$4 mil, segundo afirma, o que entra cobre os custos, mas pouco sobra.

Fatores de influência direta no aperto são, como destaca, a alta do dólar (moeda utilizada na compra dos produtos, hoje cotada a R$ 3,4921) e a inflação em alta. "Quando a inflação sobe o dinheiro do cliente fica curto e ele não pensa em gastar com produtos ou acessórios. A prioridade, claro, são os essenciais, como os alimentos", analisa. "Sobre o dólar, quando o lojista paga caro compromete a negociação. Fica complicado oferecer desconto sem prejudicar a margem de lucro de quem vive do comércio", diz Martinelli.