SIMPÓSIO
Encontro discute políticas de inclusão a portadores de dislexia
02 de Julho de 2016, 13h00
Organizado pelo deputado estadual Wilson Santos (PSDB), o 1º Simpósio sobre Dislexia em Mato Grosso aconteceu na última quinta-feira (30), no Teatro Zulmira Canavarros, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. O encontro buscou discutir políticas públicas inclusivas para pessoas com distúrbios de aprendizagem (dislexia, disgrafia, disortigrafia e discalculia).
"A importância desse evento é irradiar, difundir que a dislexia não é uma doença, de que as pessoas que possuem esse distúrbio de aprendizagem podem perfeitamente conviver no ambiente familiar e escolar. Precisamos construir uma estrutura de Estado, especialmente na Secretaria de Educação, para preparar os professores, capacitá-los para diagnosticar a dislexia e impedir qualquer bullying", disse o parlamentar, que é também o presidente da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura e Desporto.
Wilson Santos destaca que a dislexia é um distúrbio que afeta 12% da população mato-grossense, o que representa cerca de 360 mil pessoas e, apesar de ser comum, ainda existe muito desconhecimento.
"Nós queremos garantir recursos financeiros para que as secretarias de educação municipais possam pelo menos diagnosticar e tranquilizar os pais. Temos que preparar os professores para que eles mostrem aos coleguinhas que quem tem esse transtorno é um ser humano plenamente normal e capaz", pontuou.
A deputada Janaína Riva (PMDB), vice-presidente da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura e Desporto, parabenizou o colega de Parlamento pela iniciativa do debate.
"Hoje nós pudemos enriquecer a nossa sabedoria com esse tema tão importante e saímos daqui com a cabeça diferente. Temos que pensar em como nós vamos transmitir isso para as outras pessoas que não puderam estar aqui hoje", disse Janaína Riva, durante o evento.
As palestrantes da noite foram Maria Ângela Nogueira Nico, especialista em psicopedagogia pelo Instituto Maranhão, fonoaudióloga pela Universidade de São Paulo, coordenadora científica e membro atuante do Centro de Avaliação e Encaminhamento (CAE) da Associação Brasileira de Dislexia (ABD) há 22 anos, e Márcia Maria Barreira, psicóloga, neuropsicóloga, terapeuta de casais, coordenadora responsável pela área de neuropsicologia do CPM (Centro Psico - Maranhão) e neuropsicóloga do CAE.
As profissionais falaram um pouco sobre dislexia, disgrafia, disortigrafia e discalculia. A dislexia é uma transtorno de aprendizagem de origem neurobiológica. Essa dificuldade resulta tipicamente num déficit do componente fonológico da linguagem, que é inesperada em relação a outras habilidades cognitivas consideradas na faixa etária.
A discalculia é a capacidade abaixo da média para a realização de operações aritméticas, apesar do nível de inteligência normal, oportunidade escolar, motivação e estabilidade emocional. Já a disortografia se dá pela dificuldade em fixar as formas ortográficas das palavras. Por fim, a disgrafia é uma alteração funcional no componente motor do ato de escrever, que afeta a qualidade da escrita.
Durante a apresentação, as profissionais ressaltaram que a pessoa com dislexia pode ter uma vida normal e, para se ter uma ideia, basta saber que algumas personalidades que se destacaram eram ou são disléxicos, dentre eles: Pablo Picasso, Albert Einstein, George Washington, Steven Spielberg, John Lennon, Tom Cruise, Orlando Bloom, Keanu Reeves, Dercy Gonçalves e muitos outros que se destacaram não apenas no mundo artístico, mas também empresarial, como o dono da rede McDonald's, Ray Kroc.
O simpósio teve a participação de algumas mães, que fizeram depoimentos contando como foi para elas a descoberta de ter um filho com dislexia.
Eryka Patricia Fernandes de Souza, disléxica e mãe do disléxico Vinicius Alves de Souza, 14 anos, emocionou o público contando sua experiência com o transtorno. "Eu sofri muito na infância e até hoje tenho dificuldades. Hoje eu só não quero que meu filho passe o que eu passei", disse.
Outras mães, como Gabrielle Maria Coury de Andrade, Alairce Pereira de Magalhães, Liria Lovani Wendpap e Marilda Alves da Silva Santos contaram suas histórias.
A psicóloga, coordenadora do curso de pós-graduação da Faculdade Evangélica Integradas Cantares de Salomão, Giany Ghattas, também palestrou durante o encontro.
O debate ganhou a contribuição da psicopedagoga, psicanalista com formação em dislexia, Maria Masarela Marques dos Passos, que esteve presente mais uma vez para discutir o assunto.
"Sobre a legislação específica, precisamos da colaboração de vocês. Nós temos a possibilidade de receber um projeto de vocês e, se demorar para recolher as assinaturas, nos tragam, a gente apresenta. Podemos e devemos construir uma legislação específica pra isso. Hoje pudemos saber um pouco mais, pudemos ver também o amor dessas mães, que se tornam uma pessoa só junto aos seus filhos", concluiu o deputado Wilson Santos.
Participaram da mesa de debate, além do deputado Wilson Santos, a deputada Janaína Riva; professor Edinho, representando o secretário de Educação; professor Carlos Alberto Caetano, presidente do Conselho Estadual de Educação; Regina Lúcia Borges Araújo, presidente da União Nacional dos Conselhos de Mato Grosso e presidente do Conselho Municipal de Educação; Maria Ângela Nogueira Nico, especialista em psicopedagogia pelo Instituto Maranhão, fonoaudióloga pela Universidade de São Paulo, coordenadora científica e membro atuante do Centro de Avaliação e Encaminhamento (CAE) da Associação Brasileira de Dislexia (ABD) há 22 anos; Márcia Maria Barreira, psicóloga, neuropsicóloga, terapeuta de casais, coordenadora responsável pela área de neuropsicologia do CPM (Centro Psico - Maranhão) e neuropsicóloga do CAE; e a psicóloga, coordenadora do curso de pós-graduação da Faculdade Evangélica Integradas Cantares de Salomão, Giany Ghattas.
O evento contou com a presença de 540 participantes, entre mães, estudantes e profissionais da área de saúde.