PARALISAÇÃO
Profissionais da Educação decidem por manter greve que já dura dois meses no Estado
02 de Agosto de 2016, 08h01
Professores da rede estadual de ensino decidiram em assembleia geral, nesta segunda-feira (1), manter a greve da categoria, que já dura mais de dois meses.
Durante a assembleia, realizada na escola Presidente Médici, em Cuiabá, os profissionais rejeitaram parcialmente a proposta apresentada pelo Governo na reunião com o Ministério Público Estadual (MPE) na última quarta-feira (27).
Os professores estão parados há exatamente 62 dias. Eles reivindicam o cumprimento da lei 510/2013, que reajusta o piso da categoria para R$ 2.331,74 em 2016, a realização do concurso público e a suspensão do projeto de parcerias público-privadas (PPP) da Educação.
O Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT) ainda não divulgou quantas escolas estão sem aula. No total, as unidades contam com cerca de 400 mil alunos.
Na última sexta-feira (29), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Ricardo Lewandowski, acatou parcialmente uma reclamação constitucional do Governo do Estado e determinou que o Tribunal de Justiça imponha aos professores grevistas a "continuidade do serviço público" no dia 1º de agosto, atento ao reinício do semestre letivo. O TJ ainda não se posicionou sobre a decisão.
Na reunião com o MPE, no dia 27, o secretário de Educação, Marco Marrafon, afirmou que o Executivo fará estudos necessários para programar, para 2017, a recomposição salarial dos profissionais no que se refere à legislação.
Quanto às PPPs, Marrafon se comprometeu em concluir o projeto até setembro e só implantá-lo depois de discutido e aprovado pela sociedade.
Já com relação ao concurso público, o secretário informou que vai abrir o processo ainda neste ano, com nomeações em 2017.
Entretanto, na assembleia geral, os profissionais afirmaram que só vão retornar ao trabalho quando o Estado apresentar um calendário com datas e valores fixos que garanta o piso de R$ 2.331,74 para a categoria até maio de 2017. Eles aceitaram a proposta do concurso e PPP.
O secretário Marco Marrafon chegou a ligar para o presidente do Sintep, Henrique Lopes, propondo uma nova negociação para que eles encerrassem o movimento.
"Eu tive a notícia de que, apesar dos entendimentos, eles iriam manter a greve. Liguei para tentar construir uma saída e evitar que eles terminassem a assembleia mantendo a greve. Mas agora, com a decisão deles, vamos avaliar as medidas a serem tomadas", disse o secretário.
A greve
Os servidores da Educação estão de braços cruzados desde 31 de maio.
No mesmo dia, outras 27 categorias do funcionalismo cruzaram os braços contra o não pagamento da reposição inflacionária, de 11,28%. A maioria já retornou ao trabalho.
Além do Sintep, permanecem parados os servidores ligados à Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Adunemat) e ao Sindicato dos Técnicos da Educação Superior da Universidade de Mato Grosso (Sintesmat).
A Justiça chegou a declarar o movimento legítimo.
A liminar, assinada pelo desembargador Juvenal Pereira da Silva, afirma que o direito dos servidores da Educação à recomposição salarial está previsto na Constituição.
Com informações MidiaNews