Arrependido
Anos depois, Blairo diz que seu candidato não era Silval
02 de Agosto de 2019, 07h55
O ex-governador, ex-senador e ex-ministro Blairo Maggi saiu do seu ostracismo político para fazer recentemente uma declaração polêmica, para se dizer o mínimo. Quase uma década depois, ele admitiu ter sido um erro de sua parte ter escolhido Silval Barbosa como seu sucessor, isso ainda em 2010. "Meu candidato era o Mauro Mendes", disse Blairo, referindo-se ao agora governador, que na época tentou emplacar o apoio de Blairo ao seu nome para a disputa, mas foi preterido por Silval.
Desse "erro" resultou o governo mais corrupto da história do estado, que vendeu incentivos fiscais, que lançou obras inviáveis, como o famoso caso do VLT, endividou o estado e desviou recursos públicos que ultrapassam a cifra de centenas de milhões de reais. Situação que até hoje é sentida pelos atuais gestores.
Muito bonito da parte de Blairo admitir publicamente um erro, afinal Silval Barbosa, que era seu vice e para quem ele direcionou toda sua força política para lhe garantir a eleição, já entrou para história como um exemplo de incompetência e corrupção. Mas, por outro lado, já era possível antecipar que Silval não era um político honesto e estava na cara que sua eleição significaria o empoderamento de um grupo liderado pelo próprio Silval e pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa José Riva, que tinha claros objetivos de dilapidar os cofres públicos. E Blairo sabia disso já na época e isso não o impediu de lançar e apoiar Silval para a sua sucessão.
Então, se Blairo o fez, mesmo consciente do perfil de Silval, o fez por interesses, porque precisava de alguém de confiança no cargo, que encobrisse eventuais erros contábeis e jurídicos que sua gestão poderia ter cometido, sem se preocupar com os destinos de Mato Grosso.
Blairo errou sim. Mas se beneficiou de seu erro. Isso ele não diz.