É fogo!
Focos de calor quase dobram esse ano em MT
02 de Setembro de 2019, 10h20
Enquanto alguns, principalmente ligados ao Governo Federal, teimam em negar a gravidade e o imenso aumento das queimadas no Brasil este ano, os números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que fazem uso de satélites para detectar focos de calor, dizem que houve um aumento de 95% dos trais focos de calor em 2019 em relação a 2018. Este ano, teriam sido registrados 16.182 focos de calor em Mato Grosso, contra 8.303 no ano passado. Os dados são referentes ao período compreendido entre 1 de janeiro a 29 de agosto desse ano, comparados com o mesmo período do ano passado.
Não há aqui a intenção de afirmar que em anos anteriores não houvesse as queimadas, mas negar que elas estejam aumentando e que isso possa ser desastroso para o país e principalmente para Mato Grosso é ingenuidade, para não se usar de termos mais pesados. Não entender que o estado é essencialmente produtor de comodities voltadas para a exportação, como é o caso da soja e do milho, e que a pecuária local tem nos países estrangeiros seu principal mercado consumidor é outra demonstração de no mínimo muita ingenuidade, afinal, não somos os únicos produtores do mundo e o mercado externo pode perfeitamente comprar essas matérias primas e a carne de outros países, levando esses setores da economia nacional à dificuldades.
A soma da liberação indiscriminada de agrotóxicos, o aumento imenso do desmatamento e das queimadas, pode resultar no fechamento do mercado externo para produtos agrícolas e da pecuária brasileira, o que é ruim para os produtores, para os trabalhadores e horrível para os governos, que perderão e muito em termos de arrecadação de impostos, além de ser péssimo para a balança comercial brasileira, que precisa desse dinheiro que vem do exterior para se manter equilibrada e estável.
Então, é de bom senso que as autoridades brasileiras comecem a se comportar como adultos e, ao invés de combater os dados do Inpe e de outras organizações que se pautam em dados científicos para suas afirmações, comecem a procurar saídas e soluções para diminuir os desmatamentos e queimadas enquanto ainda há condições de reverter, ao menos em parte, a péssima imagem que o país adquiriu aos olhos do mundo nos últimos dias.