OPERAÇÃO SANGRIA 2
Flávio Taques foge com ajuda de servidora e polícia encontra papeis queimados
O ex-secretário-adjunto de Saúde de Cuiabá está foragido desde terça-feira (18). Ele é acusado de envolvimento em fraudes na Saúde municipal
20 de Dezembro de 2018, 07h41

Agentes da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), encontraram documentos queimados no apartamento do ex-secretário-adjunto de saúde de Cuiabá Flavio Alexandre Taques, durante a operação desencadeada na manhã de terça-feira (18), durante a segunda fase da operação Sangria.
Flávio que está sendo considerado foragido da Justiça é acusado de participar de um esquema que monopolizou os serviços da Saúde no Estado.
De acordo com a Polícia Civil, terça-feira pela manhã os policiais foram a dois endereços dele - um em Várzea Grande e outro em Cuiabá -, mas o ex-adjunto não foi encontrado.
Durante revista em um dos endereços do acusado, no condomínio Residencial Mariana, em Cuiabá, foram encontrados diversos documentos queimados dentro da churrasqueira.
Os papeis, mesmo alguns praticamente inelegíveis, foram recolhidos pelos agentes, e encaminhados para análise. A situação foi apontada pela polícia como uma tentativa de eliminar provas do crime.
Servidora ajudou na fuga
Os agentes da Defaz chegaram no edifício às 7h20, e após analisar as câmeras de segurança do local, puderam constatar que Flávio saiu pela garagem do prédio por volta das 7h15.
Conforme as imagens, a servidora pública Luciana Franco Marcelo Carvalho, foi vista com seu veículo Prisma branco, entrando na garagem do
local. Em seguida, é possível ver Flávio entrando no carro, sem malas, e saindo.
Até agora o paradeiro do ex-adjunto é considerado desconhecido. Ainda conforme a polícia, Luciana respondeu a um Termo Circunstanciado de Ocorrência por favorecimento pessoal.
Sangria 2
A operação foi deflagrada contra um grupo que teria sido montado para monopolizar contratos da área de Saúde na Prefeitura de Cuiabá e no Governo do Estado.
Em sua segunda fase, foram cumpridos oito mandados de prisão após a polícia constatar que os alvos estariam coagindo testemunhas e apagando as provas dos crimes.
As investigações apontaram que Flavio Taques, o ex-secretário municipal de Saúde, Huark Douglas Correa e outras seis pessoas são suspeitos participaram do esquema que monopolizou os serviços da Saúde e atua no Estado há 14 anos, por meio de influência política e econômica, oferecendo propinas, fraudando processos licitatórios e superfaturando contratos administrativos.
De acordo com o delegado Lindomar Aparecido Tofoli, Flávio Taques, atuava com um dos braços-direitos de Huark, dentro do Hospital São Benedito. O ex-secretário está sendo considerado o líder da organização criminosa.
“Pelo o que foi apurado até agora, Huark é a pessoa que mais influência, a pessoa que mais usa de mecanismo e servidores para atrapalhar a investigação. O Flávio era um dos braços direitos dele lá dentro. Então temos que apurar o que efetivamente está acontecendo”, disse o delegado durante coletiva de imprensa.
O ex-secretário é um dos sócios da empresa Proclin (Sociedade Mato-Grossense de Assistência Médica em Medicina Interna), alvo da primeira e segunda fases da operação.
Também foram expedidos quatro mandados de busca e apreensão, sendo um deles cumprido dentro do Hospital São Benedito e na Secretaria de Saúde de Cuiabá.
A operação é um desdobramento do cumprimento de onze mandados de busca e apreensão, expedidos no dia 4 de dezembro pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá para apurar irregularidades em licitações e contratos firmados com as empresas Proclin (Sociedade Mato-Grossense de Assistência Médica em Medicina Interna), Qualycare (Serviços de Saúde e Atendimento Domiciliar LTDA) e a Prox Participações.