PARALISAÇÃO
Médicos da Santa Casa entram novamente em greve
Corpo clínico está há 4 meses sem repasse do Governo do Estado
20 de Fevereiro de 2017, 17h40
Médicos que compõem o corpo clínico da Santa Casa de Rondonópolis anunciaram, na tarde desta segunda-feira,20, nova paralisação dos serviços até que o Governo do Estado de Mato Grosso repasse à unidade de Saúde valores referentes aos salários e demais encargos competentes aos últimos quatro meses. O último repasse, referente a outubro de 2016, não impediu o acúmulo da dívida que hoje beira a casa dos R$8 milhões.
Desde setembro do último ano, quando a Santa Casa fez a primeira paralisação em seus serviços, ficou acordado junto ao Governo do Estado repasses para custeio de setores como as Unidades de Terapia Intensiva Adulto e Infantil (pediátrica e neonatal). À época, a falta de repasses havia ultrapassado a casa dos R$30 milhões, montante que não entra nesta nova dívida. Nem mesmo a assinatura de um contrato junto ao governador do Estado Pedro Taques (PSDB), que visitou a Santa Casa em agosto do último ano, fez cumprir com o acordado.
Na ocasião da visita, a referida assinatura de contrato possibilitou a abertura da ala infantil do hospital. O custeio, desde setembro, porém, só foi possível por meio de recurso da própria Santa Casa, o que inclui, ainda, salários dos médicos trazidos especialmente para cuidar do setor. Do montante que deveria ser repassado, apenas parcelas da verba destinada aos serviços de alta e média complexidade referentes a outubro e novembro foram pagas.
"Estávamos bancando os serviços por contra própria, justamente para evitar uma nova paralisação. Infelizmente não temos mais como arcar com isso. Já tínhamos profissionais que recebiam com até 60 dias de atraso, mas não podemos aceitar estes 210 dias", explica o vice-diretor presidente da Santa Casa, médico Kemper Carlos Pereira.
Do montante referente apenas a esta nova paralisação, R$8 milhões, mas de R$1,1 milhão são destinados ao custeio de média e alta complexidade a cada mês, mais a manutenção dos demais setores e salários dos 130 profissionais que compõem o corpo clínico. Cerca de 70 a 80, conta o médico, em situação de maior atraso.
"Caducou"
Pereira lembra o montante ainda maior não repassado, pivô da primeira paralisação, no início de novembro de 2016. O acordo feito entre a unidade e a Secretaria Estadual de Saúde previa regularização da dívida a partir de abril deste ano, situação, à esta altura, improvável. "Deixamos a dívida pra lá para pensar lá na frente. Mas o Estado continua lá atrás", diz Pereira.
Indeterminado
Antes da confirmação da greve, o médico afiram tentativas de contato junto à Secretaria Estadual de Saúde. "Tentamos evitar novamente esta situação, fizemos contatos com os membros da Secretaria. Nos foi informado que uma portaria sairia, possibilitando o pagamento referente a dezembro/2016, mas não podemos aceitar o não pagamento do restante. O Estado disse que buscaria recurso para regularizara situação, mas já havíamos recebido esta promessa anteriormente".
Sem acordo concreto, a greve dos médicos da Santa Casa segue por tempo indeterminado. Apenas serviços de urgência serão realizados, quando há real risco de morte ao paciente.