“DIABO CUIABANO”
Ex-secretário reafirma denúncia contra Pátio em contratação de empresa
Ação do prefeito elevaria custos do recadastramento do IPTU; serviço passaria de R$ 400 mil para R$ 4,7 após indicação política
20 de Março de 2019, 08h40
O ex-secretário municipal da Receita Valdecir Feltrin reafirmou ontem, 19, que a gestão do prefeito José Carlos do Pátio está elevando os gastos do recadastramento e recálculo do IPTU no município com a contratação de uma empresa de Cuiabá. O caso ficou conhecido como "diabo cuiabano", após declarações do ex-servidor e da possível indicação política da tal empresa da capital contratada para a prestação do serviço.
A indicação teria partido do deputado estadual tucano Wilson Santos -PSDB. O valor mais de dez vezes superior ao previsto nas contas de Feltrin. Zé do Pátio deve gastar R$ 4,7 milhões para um serviço já encaminhado e que não custaria, segundo o ex-secretário, mais que R$ 400 mil.
Feltrin esteve ontem na Câmara dos Vereadores e prestou esclarecimentos ao Poder Legislativo.
O caso
Em um grupo de whatsapp, o ex-secretário municipal da Receita de Rondonópolis Valdecir Feltrin criticou duramente o prefeito José Carlos do Pátio -SD por, segundo afirma, aceitar uma indicação política do deputado estadual Wilson Santos -PSDB para contratar uma empresa para o recadastramento e cálculo do IPTU no município. Feltrin foi exonerado em 19 de fevereiro pelo prefeito.
Na mensagem, o ex-secretário afirma que o caso fora, inclusive, o estopim para seu desligamento da gestão municipal. Sob o contrato com a dita empresa, R$4,7 milhões seriam gastos pelo município. Pelos cálculos do ex-servidor, o mesmo serviço poderia ser feito por um valor cerca de dez vezes menor: R$ 400 mil.
Na postagem, Feltrin diz que Pátio quer "vender a alma para o diabo cuiabano". O tal cadastramento de imóveis para cálculo do PITU, apurou a reportagem, seguia bem encaminhado sob a supervisão do ex-secretário, que comandava estagiários para operar o serviço. Cerca de 70% dos bairros da cidade já estavam mapeados, prontos para o novo cálculo. Zé do Pátio, porém, insistiu pela contratação da empresa de Cuiabá.
Nas palavras do ex-secretário: "O Zé (do Pátio) odeia a elite, só que ela é que paga o IPTU alto. Tem bairro nobre que (sic) a inadimplência é de 8%. Na periferia tem bairro que chega a 80%. Is impostos diretos são assim. Os miseráveis não pagam, quando mal conseguem comer. A inadimplência com o Zé (do Pátio) no IPTU passou de 25% para 42%. Normal, com o Zé (do Pátio) a periferia não precisa pagar", diz.
Sobre sua exoneração, o ex-secretário continua: "Fui exonerado da receita por conta do IPTU. Mais motivos foi a @#$#@ de um recadastramento que eu não gastaria mais de R$ 400 mil, que já está bem adiantado. O Zé (do Pátio) queria gastar R$ 4,7 milhões. Por isso falo de vender a alma pro diabo cuiabano. Não é a primeira vez".
Em outra mensagem, enviada na sequência, Feltrin diz já ter sido prejudicado em outra ocasião junto à gestão Zé do Pátio. "Duas vezes jamais", frisa. "Se você está na linha de frente de um projeto errado, a tendência é que você se ferre", finaliza o ex-secretário.
O caso se tornou público na última semana. A Prefeitura não se pronunciou. Segundo reportagem publicada hoje, 19 pelo jornal local A Tribuna, Feltrin deverá comparecer nesta terça-feira na Câmara dos Vereadores, a pedido do vereador João Mototaxi- PSL para prestar esclarecimento sobre a denúncia.
Convênios
Segundo apurado pela coluna Buxixo nesta semana, outro motivo para a exoneração de Feltrin foi a perda de R$ 280 milhões da gestão Zé do Pátio no final de 2018 pela não assinatura de 12 convênios que seriam firmados junto ao Governo Federal.
Leia mais sobre este caso aqui.