FORTALECIMENTO

Câmara instala Procuradoria da Mulher e Maysa Leão destaca avanço histórico na representatividade feminina

"Não é mais aceitável que elas se sintam sozinhas ou culpadas. O que precisa nos assustar não é a denúncia, é o silêncio que mata”, destacou Maysa Leão

por da Redação

20 de Março de 2026, 16h47

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Divulgação

A Câmara Municipal de Cuiabá realizou, na manhã desta sexta-feira (20), sessão solene para a instalação da Procuradoria Especial da Mulher, marco importante no fortalecimento das políticas públicas de proteção, promoção e defesa dos direitos das mulheres na capital.

A vereadora Maysa Leão é autora do projeto de resolução que criou a Procuradoria da Mulher na legislatura passada e hoje, a presidente da casa, vereadora Paula Calil conduziu a instalação do dispositivo que acolherá as mulheres vítimas de violência da capital, que tem como representantes as vereadoras Maria Avalone (procuradora da Mulher), Maysa Leão (1ª procuradora adjunta) e Michelly Alencar (2ª procuradora adjunta).

Durante seu pronunciamento, a vereadora Maysa Leão destacou o significado histórico da criação da Procuradoria e o avanço da representatividade feminina no Parlamento cuiabano. “Há duas legislaturas, não tínhamos nenhuma vereadora mulher neste parlamento. Hoje, estamos aqui ocupando espaços, construindo políticas públicas e mostrando que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive na política”, afirmou.

A parlamentar também relembrou que Cuiabá e Mato Grosso enfrentam índices preocupantes de violência contra a mulher, o que reforça a necessidade de iniciativas concretas. “Estamos falando de uma capital que já liderou rankings de feminicídio e de um estado que ainda convive com números alarmantes. Isso exige de nós responsabilidade, ação e coragem”, pontuou.

Maysa ressaltou ainda o trabalho realizado antes mesmo de assumir o mandato, quando iniciou como voluntária na rede de enfrentamento à violência, e destacou as dificuldades enfrentadas por mulheres que denunciam seus agressores. “A mulher, quando denuncia, entra em uma verdadeira via-crúcis. Sua vida é exposta, sua história é julgada, e muitas acabam desistindo por medo ou exaustão. E essa desistência, muitas vezes, custa vidas”, alertou.

A vereadora enfatizou que a Procuradoria da Mulher nasce justamente para mudar essa realidade, oferecendo acolhimento, orientação e apoio às vítimas. “Nós precisamos tirar o medo dessas mulheres. Não é mais aceitável que elas se sintam sozinhas ou culpadas. O que precisa nos assustar não é a denúncia, é o silêncio que mata”.