sete vidas
Vereadores de Pedra Preta enterram nova investigação contra o presidente da Câmara
Por quatro votos contra e seis favoráveis, o Plenário do Legislativo não acatou a denúncia protocolada pelo cidadão Caio Flávio Monteiro
20 de Maio de 2014, 09h55

O vereador Lenildo Augusto da Silva (PR) deu uma demonstração de força e sepultou mais um pedido de investigação protocolado na Câmara de Pedra Preta contra si. Por quatro votos contra e seis favoráveis, o Plenário do Legislativo não acatou a denúncia protocolada pelo cidadão Caio Flávio Xavier Monteiro, que acusa o gestor da Câmara de ter quebrado o decoro parlamentar por ter feito um desvio na sua energia elétrica, conhecido popularmente como 'gato', fato narrado pela Polícia Militar em um boletim de ocorrências registrado no último dia 12.
Essa é a segunda denúncia feita contra Lenildo, que também conseguiu engavetar a outra denúncia, que o acusava de improbidade e quebra do decoro parlamentar.
Em sua defesa, o presidente da Câmara apresentou um documento assinado por Paulo César de Abreu, conhecido na cidade como Coró e que é proprietário do cartório da cidade, onde ele afirma ser dono da casa onde o vereador mora e que retirou do vereador a responsabilidade pelo 'gato' no padrão de energia de sua residência.
A atitude do cartorário foi questionada pelos parlamentares, como o vereador Romildo Sandro Pires do Nascimento (PSD), para quem a Câmara deveria aceitar a denúncia e investigar os fatos. "Nós temos que instaurar uma CPI sim, nem que seja para ouvir o Paulo César. A juíza da cidade também mora em uma casa alugada pelo Coró. E se por ventura a casa que ela mora também tiver gato, a Meritíssima também vai ter que passar pela vergonha que o senhor passou?", questionou, referindo-se ao presidente da Câmara.
Outro que defendeu a constituição da Comissão investigativa para apurar o possível desvio de conduta do presidente da Câmara de Pedra Preta foi o vereador Hélio de Farias (PSDB). "Eu quero crer que o presidente seja inocente, mas não podemos fazer vistas grossas. Eu não questiono o documento apresentado pelo presidente (que o inocenta da autoria do gato), mas o conteúdo do documento, e averiguar os fatos é a coisa mais certa. Não acatar a denúncia é dar motivos para o povo acreditar que quem trabalha honestamente e paga suas contas em dias não vai para frente", disparou.
De sua parte, Lenildo Augusto partiu para o contra ataque e disparou contra seus acusadores, a quem acusa de perseguição política. "Aceitar ou não a denúncia é uma decisão de cada vereador, mas eu não entendo é onde essa perseguição política contra mim vai chegar. A denúncia contra minha pessoa é infundada e enquanto eu for vereador estarei a disposição da população", discursou.
Votaram contra o acolhimento da denúncia os vereadores Semy Mendes de Freitas (PR), Laudir Martarello (PSD), Maria da Cruz (PSD) e Sebastião Almeida Chagas (PV).
Tensão
A Sessão Ordinária dessa segunda-feira, 19, teve momentos tensos, principalmente após a votação que decidiu pelo arquivamento da denúncia, quando Lenildo Augusto usou a Tribuna e acusou outros vereadores de mentirosos e de o perseguirem politicamente.
Em sua fala, Lenildo Augusto agradeceu os seus apoiadores e disparou contra seus acusadores. "A denúncia é manipulada pelo Executivo, pois o Caio Flávio era coordenador de campanha da Mariledi (Coelho, prefeita da cidade). Se o Coró disse que é culpado pelo gato, ele tem que pagar", além de ter acusado seu colega Fábio Trindade de ter mentido, ao afirmar que ele esteve em vias de ser preso pela PM ao ser constatado o gato em sua residência, o que gerou nova discussão.
Em seguida, Fábio Trindade o desafiou a participar de uma acareação na PM. "Você é mentiroso e vou provar que você é o mentiroso da cidade. Vamos fazer uma acareação na PM e ver quem está mentindo", disparou o vereador.