ESTADO PRECÁRIO

Após atraso, governo repõe estoque e pacientes formam fila gigantesca para obter insulinas

Pacientes do grupo de risco, mesmo com máscaras, correram o risco de irem até a unidade para garantir a medicação

por Karollen Nadeska, de Cuiabá

20 de Maio de 2020, 16h41

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Divulgação

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT) fez a reposição de medicamentos que são distribuídos gratuitamente na Farmácia de Alto Custo, em Cuiabá. A redistribuição, conforme a previsão, foi iniciada na manhã desta quarta-feira (20) após supostamente o atraso ocorrer em virtude da pandemia de coronavirus.

O número de pacientes no local chamou atenção, após uma fila gigantesca se formar e que chegava a “dobrar” nos corredores da base. O prédio da Farmácia de Alto Custo é anexado ao MT Hemocentro, na Rua 13 de junho, região Centro Sul da Capital.

Normalmente, a farmácia agenda horários com os pacientes para regularizar a entrega sem aglomerações, o que não foi o caso desta vez. Pacientes rechaçaram que tiveram que ligar para a Central em busca de serem informados sobre a reposição.

Segundo especialistas, a falta de medicação pode apresentar reações imediatas no dependente de insulina utilizada no tratamento de diabéticos, por exemplo.

Uma paciente que não quis se identificar, afirmou ao Gazeta MT, que estava há 50 dias sem fazer o uso da medicação. Ela tem 71 anos, é portadora de diabetes tipo 2 e também toma remédios para controlar a hipertensão arterial (pressão alta). Nesta terça-feira (19), ela sentiu fraqueza e passou a ter calafrios. Mesmo pertencente ao grupo de risco do novo coronavirus, precisou recorrer a rede pública de Saúde.

“Eu peguei só a Lantus. Há mais ou menos dois meses não vem a Glicagem e ainda não tem”, desaba a entrevistada.

Na semana passada, a Associação Mato-grossense de Atenção ao Diabético (Amad) denunciou a falta de insulina Glargina nas farmácias de Alto Custo do Estado. A demora no fornecimento pode representar um agravamento nos casos de pacientes que forem infectados com a Covid-19 (novo coronavirus). Os atrasos, de acordo com a denúncia, são recorrentes.

Conforme a entrevistada do Gazeta MT, na tarde desta quarta-feira, ela foi informada pelo atendente da farmácia que uma das medicações que usa no controle da doença, a Trayentra, continuará sem fornecimento na unidade.

“A Grifage que é uma medicação que eu uso também já vai pra mais de dois meses de atraso e agora eles agendaram para ver de novo no dia 15”, conta.

Em uma pesquisa rápida feita pelo Gazeta MT, mostra que uma das insulinas em falta na rede custa em média R$ 80 com desconto em farmácias privadas não credenciadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Outro lado

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde, mas ainda aguarda uma resposta sobre o fornecimento.