Mentir não é mais uma escolha
20 de Setembro de 2016, 08h56
A chamada era da informação ou digital, entendida pelos especialistas mais fortemente da década de 80 para cá, substituindo a era industrial, vem trazendo mudanças significativas na vida profissional dos cidadãos do mundo. No entanto, tais modificações não se restringem apenas ao maior processamento de dados e a natural fortificação da produção em todas as áreas, mas também na necessidade de adequações do ponto de vista pessoal. Isto porque, está ficando cada vez mais complicado forjar ser aquilo que não se é, visto que o mundo conectado expõe tudo a todos.
Na política, área em que atuei praticamente toda minha vida, tenho visto a formação de um profissionalizado modo de gestão pública que preza pelos resultados e a boa gerência dos investimentos. Os órgãos de fiscalização atuam em tempo real na contagem dos centavos que os chefes executivos decidem gastar e isto, cada vez mais, tem contribuído para que as políticas públicas sejam eficientes e fique extremamente complexo o ato de se desviar recursos ou a mesmo a obtenção de qualquer outro benefício particular do gestor.
A tecnologia, de fato, tem muitas funções, mas enquanto uns ressaltam que sua principal razão de existir é facilitar a vida das pessoas eu, pessoalmente, tenho visto uma situação muito interessante do ponto de vista social: ela tem tido o poder de revelar a verdade. Mentir, tem se tornado uma tarefa inglória visto que os tantos aplicativos de comunicação existentes e a possibilidade de se fazer fotos ou vídeos em alta qualidade, por qualquer um, além da grande capacidade de arquivamento de dados para revisão do histórico pessoal ou coletivo, forçou a criação de um mundo onde a mais inteligente maneira de se viver é optar pela ética e pela seriedade, ou a desmoralização será só questão de tempo.
Voltando a falar puramente da política, as provas que as ferramentas da era digital trazem para as mãos dos promotores, auditores, juízes e demais guardiões das boas práticas da gestão pública, são a única razão das antes impensadas prisões de figurões estarem agora ocorrendo. Tenho visto grandes debates serem abertos nas redes sociais, provas cabais serem compartilhadas e o mesmo teor informativo ser usado em meio a processos ainda não solucionados que culminam na cassação de gestores Brasil à fora. Penso estar vendo uma mágica acontecendo e o escudo da impunidade, que parecia intransponível sobre alguns, definitivamente se desintegrando
O impeachment recente de Dilma Rousseff foi um exemplo claro para mim de que existe um filtro a partir de agora. Aquele que se propor ser um gestor público, definitivamente, terá de se adequar às minúcias da Lei da Responsabilidade Fiscal e caminhar estritamente dentro dos ordenamentos jurídicos ou simplesmente será forçado a dar lugar a outro. Não adianta querer demonizar esta nova realidade, chamando de burocracia, engessamento ou outros termos pejorativos que a criatividade do discurso barato trouxer. A verdade é que todos têm que obedecer as regras e não importa quando anos você tem de carreira. Esta nova situação não é um obstáculo que tenha de ser vencido com coragem ou ousadia, como alguns pregam, mas um simples entendimento que ninguém está acima da lei e que a velha política morreu. Pessoalmente, confesso que me envaideço por pensar que o que tem se chamado de modernidade de gestão pública, eficiência e profissionalização da política, é tudo aquilo que, pessoalmente, sempre vi como o único caminho.