CONDENADO POR HOMICÍDIO

Sob protestos, goleiro Bruno desembarca em VG na quarta-feira para atuar pelo Operário

O ex-ídolo rubro negro já recebeu autorização da Justiça de Minas Gerais para residir em Várzea Grande.

por De Cuiabá - Estevan de Melo

21 de Janeiro de 2020, 06h56

Goleiro Bruno  / Foto: Reprodução
Goleiro Bruno / Foto: Reprodução

O goleiro Bruno, ex-Flamengo, desembarca no Aeroporto Marechal Rondon em Várzea Grande na quarta-feira (22). O ex-ídolo rubro negro já recebeu autorização da Justiça de Minas Gerais para residir em Várzea Grande e atuar pelo Operário, clube de futebol conhecido como Chicote da Fronteira.

Condenado a 20 anos e 9 meses de cadeia, atualmente o goleiro Bruno cumpre pena em regime-semiaberto, o que lhe permite trabalhar para ajudar a reduzir o restante da pena.

A contratação pelo Operário de Várzea Grande repercutiu nacionalmente e tem gerado diversos comentários favoráveis e contrários. Enquanto muitos defendem a oportunidade de ressocialização, outros criticam duramente a segunda chance concedida ao goleiro no futebol, pois estaria retornando numa condição de ídolo após um crime brutal que chocou a sociedade brasileira.

Um grupo de mulheres organiza um protesto na Arena Pantanal para manifestar a contrariedade a contratação do Operário de Várzea Grande. Ao mesmo tempo, a cooperativa Sicredi já informou que não deseja ter a sua marca estampada na camisa do Operário.

A moradora de Várzea Grande, Fana Gonçalves, criticou a decisão do clube. Acho que ele {Bruno] pode até ter outra oportunidade, mas não sendo ídolo no futebol. Pode até ser a profissão dele, mas isso envergonha nossa cidade e nosso time”, disse.

Histórico

Em 2010, ano em que atuava no Flamengo, Bruno vivia o auge da sua carreira. Um ano antes havia sido campeão brasileiro pelo clube carioca e era um dos nomes cotados para ser convocado a atuar na Seleção Brasileira que disputaria naquele ano a Copa do Mundo na África do Sul.

Ao mesmo tempo, já era sondado para iniciar uma carreira internacional para atuar no Milan da Itália.

Porém, sua carreira sofreu uma reviravolta quando foi acusado, ainda em 2010, de participação no sequestro e assassinato da modelo Eliza Samudio. Pelo crime, foi submetido a júri popular e condenado

Bruno Fernandes de Souza foi condenado a 22 anos e 3 meses pelo assassinato e ocultação de cadáver de Eliza Samudio e também pelo sequestro e cárcere privado do filho Bruninho.

Bruno foi condenado a 17 anos e 6 meses em regime fechado por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima), a outros 3 anos e 3 meses em regime aberto por sequestro e cárcere privado e ainda a mais 1 ano e 6 meses por ocultação de cadáver. A pena foi aumentada porque o goleiro foi considerado o mandante do crime, e reduzida pela confissão do jogador.

Eliza desapareceu em 2010 e seu corpo nunca foi achado. Ela tinha 25 anos e era mãe do filho recém-nascido do goleiro Bruno, de quem foi amante. Na época, o jogador era titular do Flamengo e não reconhecia a paternidade.