SEM AFTOSA

Famato pede que MT seja reconhecido livre de aftosa

A percepção e os trabalhos realizados pelos países vizinhos ao Brasil são o foco de discussão do encontro

por GazetaMT

21 de Outubro de 2015, 09h33

Famato pede que MT seja reconhecido livre de aftosa
Famato pede que MT seja reconhecido livre de aftosa

O presidente do Sistema Famato/Senar, Rui Prado, aproveitou para pedir que Mato Grosso seja considerado área livre de febre aftosa sem vacinação, na 5ª Reunião Extraordinária da Comissão Sulamericana para a Luta contra a Febre Aftosa (Cosalfa), ontem, em Cuiabá, A entidade reúne membros das organizações Mundial e Panamericana de Saúde, além do Centro Panamericano contra Febre Aftosa, com delegados de praticamente todos os países da América do Sul, também do setor privado.

"Por ser este o Estado com o maior rebanho bovino do país e por estar acontecendo aqui em Cuiabá uma reunião da Cosalfa, peço à Comissão para que Mato Grosso seja considerado estado livre da febre aftosa sem vacinação", comentou o presidente, depois da abertura do evento, realizado no auditório do Edifício Cloves Vettorato.  

O representante da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) no evento, Altino Rodrigues Melo, esclareceu que a linha da entidade é a mesma do sentimento do presidente do Sistema Famato/Senar. "Essa ansiedade para a evolução do programa de febre aftosa, que pode ter etapas antes de retirar totalmente a vacina, poderíamos pensar alternativas, por exemplo, de retirar a vacina dos animais adultos e ficar, por mais dois ou três anos os animais jovens", sugeriu.

Outra linha apontada por ele para que Mato Grosso e outros estados brasileiros cuja incidência de aftosa inexiste é a definição de territórios maiores que de um estado com sistemas produtivos semelhantes para que a vacina fosse desobrigada. Conforme ele, poderiam ser unidos circuitos pecuários antigos, porém com nova caracterização.

"Isso para que eles caminhassem juntos retirando a vacina. Ou seja, nós temos vários mecanismos que gostaríamos que o Ministério da Agricultura coordenasse para haver essa movimentação mais rápida a partir de agora", pontuou o representante da CNA.

A percepção e os trabalhos realizados pelos países vizinhos ao Brasil são o foco de discussão do encontro. A intenção é que existam menos barreiras entre eles para que haja o fortalecimento da qualidade da carne produzida no continente para o mercado externo. "Essa reunião é o início da discussão e acho que o Brasil tem que ser o protagonista pelo seu tamanho, pela sua capacidade, pela sua produção. E convencer os outros países para tomar as decisões que avançam na área sanitária para o Brasil", acrescentou Melo.

A situação da incidência de casos na Venezuela também foi suscitada durante a reunião. Porém, a distância do país em relação aos estados com maior rebanho bovino no país pode ser um facilitador para obter o status de livre da aftosa sem vacinação. "O problema na Venezuela não pode atrapalhar estados que estão distantes do território e para que haja uma evolução no programa. É isso que queremos que o Ministério da Agricultura coordene com uma velocidade maior", enfatizou.

 Outra medida importante lembrada na reunião foi a fiscalização do aparelhamento dos órgãos estaduais de defesa animal para que haja um processo de vigilância mais ativa, permanente. "Uma coisa muito importante: não é proibido ter doença. Se tiver a doença, você combate. No passado, a OIE (Organização Internacional de Saúde Animal)) determinava que precisa no mínimo de dois anos sem ocorrência de um novo foco para recuperar a condição de área livre. Hoje, você pode conseguir isso até com três meses. As cosias já evoluíram, os produtores e os processos evoluíram. Não podemos estar presos a um passado porque estamos acomodados", ponderou o representante da CNA.