CEPEA/ESALQ DE AGOSTO

Emprego no agro bate recorde em 2026

Setor responde por 26% da população ocupada no segundo trimestre, com recorde para o período e avanço da produção agropecuária

por Redação

21 de Outubro de 2026, 15h45

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Divulgação

O agronegócio brasileiro contabilizou 28,4 milhões de pessoas ocupadas no segundo trimestre de 2026, sendo o maior resultado registrado para esse período desde o início da série histórica, em 2012. O contingente correspondeu a 26% da população ocupada do país, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, houve crescimento de aproximadamente 27 mil pessoas atuando no setor, uma alta de 0,1%. O resultado foi alcançado em um cenário de expansão do mercado de trabalho brasileiro, cuja população ocupada aumentou 1% no mesmo intervalo. A taxa de desocupação nacional ficou em 5,4%, a menor já registrada para um segundo trimestre.

Os dados demonstram a dimensão do agronegócio na economia brasileira. A cadeia produtiva abrange não apenas agricultores e pecuaristas, mas também trabalhadores da indústria de insumos, do processamento de matérias-primas, do transporte, da distribuição e de diferentes serviços relacionados à produção e à comercialização.

Aumento de trabalhadores

Entre os quatro segmentos que compõem o agronegócio, o setor primário apresentou o melhor desempenho na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026. O número de pessoas nas atividades de produção agropecuária cresceu 1,9%, com acréscimo de 145.795 trabalhadores. O avanço foi impulsionado principalmente pelas atividades agrícolas e florestais, com destaque para a cafeicultura, o milho e outros cereais.

Em contrapartida, os agrosserviços registraram redução de 101.732 pessoas ocupadas, enquanto o segmento de insumos agropecuários apresentou queda de 15.270 trabalhadores. A agroindústria permaneceu praticamente estável, com diminuição de 1.793 pessoas.

O comportamento dos segmentos mostra que o mercado de trabalho do agronegócio apresenta dinâmicas distintas ao longo da cadeia produtiva. Enquanto a produção rural ampliou a ocupação no período, os serviços e as atividades ligadas ao fornecimento de insumos tiveram retração.

Trabalhadores por conta própria e mulheres

O levantamento também identificou mudanças no perfil dos profissionais ocupados. Entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, o número de trabalhadores por conta própria cresceu 2,4%, o equivalente a 160.833 pessoas. Já a quantidade de empregadores aumentou 3,5%, com acréscimo de 35.689 pessoas.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a população ocupada feminina no agronegócio cresceu 0,7%, com 76.055 trabalhadoras a mais. Entre os homens, o aumento foi de 0,6%, correspondente a 112.495 pessoas.

Os indicadores evidenciam a participação de diferentes perfis profissionais na cadeia produtiva e reforçam a importância do setor para a geração de trabalho e renda. É importante ressaltar, porém, que população ocupada não equivale exclusivamente a empregos formais com carteira assinada: o indicador também contempla trabalhadores por conta própria, empregadores e outras categorias de ocupação, conforme a metodologia da pesquisa.

Agricultura familiar e cooperativismo

A geração de oportunidades no agronegócio também passa pelo fortalecimento da agricultura familiar, das associações e das cooperativas. Essas organizações contribuem para ampliar o acesso dos produtores aos mercados, organizar a comercialização, melhorar a logística e aproximar a produção rural dos consumidores.

As compras públicas de alimentos, por meio de iniciativas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), também integram esse cenário, ao criar canais institucionais de comercialização para a produção familiar, observadas as regras de cada programa.

Além da produção de alimentos, a cadeia agropecuária demanda profissionais em assistência técnica, gestão, transporte, armazenamento, beneficiamento e comercialização. O desenvolvimento dessas atividades pode ampliar as oportunidades econômicas nos municípios rurais e fortalecer a permanência das famílias no campo.

Para sustentar esse movimento, permanecem importantes os investimentos em infraestrutura, qualificação profissional, conectividade rural, inovação e acesso a mercados. A ampliação dessas condições pode contribuir para que o crescimento da produção se traduza em oportunidades mais diversificadas de trabalho e renda.

Em 2026, os resultados do segundo trimestre confirmam a relevância do agronegócio para o mercado de trabalho nacional. Com 28,4 milhões de pessoas ocupadas, o setor mantém presença expressiva na economia brasileira, embora os resultados variem entre os diferentes elos da cadeia produtiva.