Crise no PR pode ser estratégia para cúpula se livrar de 'líderes indesejados'
21 de Novembro de 2012, 12h59
Pode não ser coincidência ou acaso o silêncio adotado pelo presidente regional do Partido da República, deputado federal Wellington Fagundes, em relação as polêmicas envolvendo a legenda no Estado. Nos bastidores já há quem diga que este distanciamento faz parte de uma estratégia visando acelerar a 'depuração' da legenda - ou seja, a exclusão de lideranças que não leem na cartilha do presidente regional.
O comportamento de Fagundes chamou atenção em duas questões que tiveram grande repercussão na mídia. Primeiro foram as críticas feitas pelo senador Blairo Maggi contra o 'golpe' que manteve o deputado federal Waldemar da Costa Neto e o senador Alfredo Nascimento no comando nacional do PR. Depois veio o confronto aberto entre o prefeito de Rondonópolis, Ananias Filho, e os deputados estaduais Sebastião Rezende e Nininho. Nas duas situações, o dirigente do PR manteve um silêncio quase sepulcral.
Fagundes é amigo de longa data de Waldemar da Costa Neto. Os dois já fizeram campanhas juntos e chegaram a dividir os holofotes da mídia nacional em alguns escândalos envolvendo o antigo PL e o atual PR. Se quisesse, ele não teria dificuldade para mediar um entendimento entre Waldemar e Maggi. Mas fontes ouvidas pelo Buxixo afirmaram que Fagundes não faz nenhuma questão em continuar dividindo o poder interno com Maggi e, por isso, não moverá uma palha para manter o senador no partido.
Já em relação a contenda entre Ananias e os deputados republicanos, a omissão do dirigente pode ser uma tentativa de ocultar uma ação para desestabilizar os parlamentares estaduais. Rezende está em rota de colisão com Fagundes há tempos, e Nininho assusta o 'cacique' pela proximidade com a chamada 'Turma da Botina' (que é liderada por Maggi).
Nos bastidores, a suspeita é de que Ananias tenha atacado os deputados agindo sob orientação do próprio Fagundes, de modo a criar um desgaste e, talvez, até a saída dos dois parlamentares do PR.
O único problema desta estratégia é que, se funcionar, o PR corre o risco de ficar pequeno demais após tantas 'depurações'...