Câmara arquiva procedimento investigativo de desvio de remédios
Segundo relatório, não foram encontradas provas de desvio de medicamentos, tampouco indícios de sonegação fiscal, ou pagamento de propina
21 de Dezembro de 2011, 19h22
A Câmara Municipal arquivou o procedimento que apurava suspeita de desvios de medicamentos na Secretaria Municipal de Saúde, seguindo sugestão do parecer jurídico da Casa, datado de 21 de novembro. A Comissão de Saúde, Assistência Social, Cidadania e Direitos Humanos ouviu, entre 27 de maio de 16 de novembro, 15 servidores públicos que trabalhavam diretamente no almoxarifado e nos setores de licitação e administração da Secretaria Municipal de Saúde.
Segundo relatório lido na sessão desta quarta-feira (21), não foram encontradas provas de desvio de medicamentos, tampouco indícios de sonegação fiscal, ou pagamento de propina à ex-gerente de almoxarifado do município, Fabiana Gouveia, que chegou a ser presa pela Polícia Federal no dia 15 de maio, durante a operação 'Saúde'.
A operação foi desencadeada pela PF do Rio Grande do Sul e resultou na prisão outras 19 pessoas, em cinco estados, que eram suspeitos de envolvimento em fraudes de licitações para fornecimento de medicamentos pela empresa Sulmed, com sede no RS.
O parecer da comissão salienta que todos os profissionais ouvidos ressaltaram a eficiência da funcionária e a disponibilidade dela em colaborar com as investigações, prestando informações por duas vezes à comissão e apresentado todos os documentos solicitados. Entre eles, está escritura pública de compra e venda de uma carta precatória, cujo valor foi depositado na conta da servidora e seria um dos indícios de recebimento de propina dada pela empresa Sulmed à funcionária.
O documento também revela que os R$ 7.500,00 que foram encontrados com o marido da funcionária, teria sido o valor de um empréstimo pessoal feito a ela pelo funcionário da Sulmed, chamado Franciel, cujo montante seria usado na compra de medicamentos para o tratamento de câncer da mãe dela e que não fica evidenciado que seria pagamento de propina. Os dois teriam ficado amigos depois de Franciel ter auxiliado o irmão da funcionária que mora no Rio Grande do Sul.
Quanto ao adiantamento de medicamentos e troca de notas, o relatório expõe que a prática era comum devido a problemas de gestão na administração municipal cujas licitações para compra de remédios demoram para ocorrer e os pacientes precisavam dos medicamentos antes de serem fechadas novas compras. Também revela que os valores adiantados na forma de produtos eram compensados e as notas de valores menores depois de incluídas na próxima compra eram destruídas, não ocasionando ônus para o erário.
Para o presidente da comissão, vereador Mohamed Zaher (PSD) não há provas de que houve desvio de medicamentos nem pagamento de propina para a servidora, mediante o que foi apresentado e relatado por ela e pelos demais servidores ouvidos durante a investigação.
"Temos que apurar os fatos, e isso foi feito. Ouvimos todos os servidores que poderiam ter visto alguma coisa, mas todos foram unânimes em dizer que a servidora é competente e dedicada. Temos que ser justos, punirmos quem está errado e inocentarmos quando não achamos provas. Neste caso, tudo nos leva a crer que ela é inocente, foi prestativa, respondeu tudo e apresentou todos os documentos. Para nós este caso está encerrado", finalizou.
Além do vereador Mohamed, participaram das investigações os vereadores Dr. Manoel da Silva Neto (PMDB) e o Dr. Hélio Roberto Pichioni, respectivamente, vice-presidente e membro da comissão de saúde.
(Com assessoria)